Um teaser ... ou pode ser um prefácio, como se dizia antigamente:
Talvez o leitor atual não saiba, mas a doutora Ana Lisa, gaúcha de Erechim, é há muito, digamos, minha consultora para assuntos depressivos. Por que do nome? Fácil... ela analisa...
Pela demora, na antessala, imagino que há algum paciente com mais "problemas" do que os meus.
Enfim, abre-se a porta e sai uma senhora, com os olhos marejados, sinal de que eu estava certo quanto à demora.
Convidado a entrar, fui de imediato me recostando no bendito divã, e depois dos devidos cumprimentos. Respirei fundo... e perguntei:
- Doutora, o que a senhora acha disso aqui? "O que é de um homem que não valoriza suas raízes, não cultua sua origem e se esquece, ou finge que se esquece, de onde veio"?
- Creio que é um axioma com muitas verdades. - disse e seguiu:
- O senhor está muito filosofal hoje... mas o que isso tem a ver com nossa conversa?
- Explico, um amigo, aliás mais do que amigo, grafou e eu postei, em destaque, no meu blog porque entendi ser a melhor definição para a conduta de um ser humano.
- Com certeza, seu Dedé, são palavras que exprimem, em sua essência, uma forma correta de vida. - Ela fez uma pausa e eu aproveitei:
- Pois é doutora, o que me incomoda é que não vemos muito disso por aí.
- Concordo - disse ela, e prosseguiu - Seu Dedé, o senhor deve saber que, no ser humano, não existe a perfeição, cada um tem direito à escolha, e não podemos julgar esse comportamento ou outros.
- Pois é... isso não deveria me incomodar, mas incomoda, talvez por meu estado depressivo. Engoli seco e emendei: Por exemplo, quando a mulher ou o homem declina de usar seu próprio sobrenome para ser reconhecido pelo sobrenome de seu parceiro.
Sem dar tempo para ela retrucar, acrescentei:
- E mais, como desculpa dizem que isso traz maior visibilidade, status, escondem o sobrenome familiar por um outro mais "atraente", tipo marketing, merchandising... e "esquece ou finge que esquece de onde veio"...
A doutora Ana Lisa revirou os olhos, fez uma pequena pausa, respirou fundo e arrematou:
- Vamos melhorar seu medicamento e, com o tempo, essas ideias não irão mais incomodá-lo. Concorda?
Assenti com a cabeça, mas não pude deixar de completar:
- Imagine doutora se eu trocasse o Gomes por Rockfeller, Rothschild, Raskólnikov*... seria, no mínimo, bizarro. Porém - completei sorrindo: jamais usaria o Trump...
Dedé Trump...hum...
E, antes que ela me expulsasse do consultório, levantei, agradeci e fui saindo sem esquecer de pegar, com a recepcionista, uma nova receita...
*(Personagem de "Crime e Castigo", Dostoiévski)

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