quarta-feira, setembro 23, 2026

2026: OLHE PARA CIMA!

Talvez você não saiba... Eu também não sabia.
Mas há uma ideia de "Banalidade do Mal", definida formalmente pela filósofa alemã Hannah Arendt. 
Anteriormente, esse conceito já havia sido desenhado por dois psiquiatras durante o julgamento de Nuremberg, quando detectaram, entre os réus nazistas, que existem indivíduos que abdicam totalmente da capacidade de julgar moralmente o que é certo ou errado. Essa responsabilidade é transferida para o governo, para o líder ou para a lei; eles se tornam "apenas" uma peça dessa engrenagem. 
Resumindo: o absurdo vira normal.  
Quer entender o problema? 
Fácil! É só observar o comportamento  atual de nossa classe política e demais autoridades. 
O certo, o correto, o honesto passam bem longe de ser a prioridade. O mea culpa simplesmente não existe. 
O que foi detectado, logo após o encerramento da II Guerra Mundial (1945), segue perfeitamente atual neste século XXI, 2026!
A diferença, abissal, é que eles, os que foram julgados e condenados, tinham um QI muito acima da média. 
Convenhamos, o que não é bem o "normal" em nossos dias. 
Uma inteligência que, no caso deles, só serviu para tornar a crueldade ainda mais imperdoável. 
A história se repete, mas os personagens mudam de rosto...
Atualmente a maioria das pessoas está dividida entre extremos, e isso só mostra como falta pensamento crítico. E aí posso lembrar do "Não olhe para cima", o filme.
Por que não "Olhe para cima!"
 
*Arendt, Hannah, Eichmann em Jerusalém. Companhia das Letras 1999 
*Don't Look Up  (Não olhe para cima)  2021.


 

segunda-feira, setembro 14, 2026

O "diagnóstico" da doutora.

          
 E lá vou eu para mais uma consulta com minha terapeuta, a doutora Ana Lisa. No início do tratamento, minha realidade era esta: eu passava as sessões sentado de costas para a doutora e, com o tempo, evoluí... circulava em pé pela sala.  
Só que, desta vez, estou com uma robofoot a imobilizar meu pé esquerdo. Há dificuldade para chegar, pois são três degraus a subir antes de alcançar a porta.
Ao abrir, a reação dela foi imediata. Surpresa, exclamou:  
—  Seu Dedé, o que é isso? O que aconteceu? Conte-me tudo  —  disse.
Já na sala, me acomodei na poltrona, de frente para ela e  - reticente -  esclareci: Nada muito grave —  sorrindo:  — Apenas uma fascite plantar, um esporão no calcanhar... uma rutura parcial.
A doutora interrompeu: Nada grave? Se o senhor não seguir as recomendações do ortopedista, as consequências serão piores. — E, mudando de assunto: — Seu emocional foi abalado por isso? 
—  Não  — afirmei convicto, e prossegui: — O que está me incomodando agora, nesse período eleitoral, são essas disputas entre esquerda e direita. Basta abrir as redes sociais e ver o verdadeiro cabo de guerra: de um lado, a oposição acusa a infiltração comunista ; de outro, lembram do fantasma do fascismo, nas figuras de Hitler, Mussolini e Franco.
—  Olha, seu Dedé, é preciso entender que esquerda e direita não levam a isso. Agora, quando aliadas ao extremismo, ao fanatismo e ao radicalismo, viram caminhos fáceis para o comunismo, de um lado; e o fascismo, do outro, pois anulam qualquer chance de diálogo democrático,  -  a doutora Ana Lisa resumiu.
Compreendo -  concordei e arrematei:  -  Sabe doutora, além disso há um quadro trágico atualmente: corrupção, roubalheira desenfreada, inversão de valores e, o pior, há quem pense até em uma "revolução"...
-  Muita calma nessa hora, seu Dedé  -  disse ela, completando - quem viveu aquela época e eu me coloco entre esses, sabe que um regime de exceção, uma ditadura, uma autocracia é, desculpe o termo, um cancro social... e vamos parar por aqui.
Com um olhar, minha terapeuta deu a entender que nosso tempo tinha terminado.
Agradeci o "diagnóstico", embora soubesse que, para essa doença coletiva, não existe receita médica.  
Despedi-me e tomei o rumo de casa querendo, o mais breve possível, me livrar do peso morto da robofoot, e não sei bem o porquê, me peguei pensando: "Onde está o dinheiro? O gato comeu", "Podres poderes", "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos..."

  Nota: Talvez o leitor atual não saiba, mas minha terapeuta - a doutora Ana Lisa é -  há muito  - minha consultora para assuntos depressivos...

quarta-feira, agosto 19, 2026

O BOM E O MAU.


Um padeiro queria conhecer um mestre e este foi à padaria, disfarçado de mendigo. Lá chegando, pegou um pão e começou a comer.
O padeiro o espancou e o atirou à rua. 
Um discípulo que chegava interpelou: "Não vês que expulsastes o mestre que querias conhecer"?
Arrependido, o padeiro implorou: "O que posso fazer para que tu me perdoes, mestre?"  
"Nos convide para um banquete amanhã", foi a resposta.
Na manhã seguinte, mestre e discípulo foram à casa do padeiro e encontraram um farto banquete. Em meio ao ágape, o discípulo perguntou: "Mestre, como posso distinguir o homem bom, do mau?"
"Basta olhar este padeiro", respondeu o mestre. "É capaz de gastar dez moedas de ouro em um banquete porque sou célebre,  mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome...

(Autor desconhecido)


sábado, agosto 15, 2026

PRECE PODE SER TAMBÉM OFERENDA


             
Talvez você não saiba, mas há dois tipos de prece: 
O primeiro tipo é aquele onde pedimos que determinadas coisas aconteçam, tentando dizer ao CRIADOR o que ELE deve fazer...  
Não damos nem tempo nem espaço, queremos as coisas realizadas do nosso jeito e não no tempo DELE. 
Ficamos, então, com a sensação de que não fomos ouvidos.
O segundo tipo é aquele em que, mesmo sem compreender os caminhos do ALTO, deixamos que se cumpram em nós seus desígnios. Pedimos que nos poupe do sofrimento, que nos dê saúde, felicidade, mas, ao mesmo tempo, nos oferecemos como instrumentos de SUA vontade. 
Resumindo, quando entendemos que a vontade do CRIADOR se manifesta em nós, compreendemos nossa própria vida.
(Autor desconhecido)

segunda-feira, novembro 10, 2025

Nem FREUD explica.

Um teaser ... ou pode ser um prefácio, como se dizia antigamente:
Talvez o leitor atual não saiba, mas a doutora Ana Lisa, gaúcha de Erechim, é há muito, digamos, minha consultora para assuntos depressivos. Por que do nome? Fácil... ela analisa...

E cá estou, no consultório da doutora Ana Lisa, para mais uma sessão.
Na antessala, e pela demora, imagino que há algum paciente com mais "problemas" do que os meus.  
Enfim, abre-se a porta e sai uma senhora, com os olhos marejados, sinal de que eu estava certo quanto à demora.
Convidado a entrar, fui de imediato me recostando no bendito divã, e depois dos devidos cumprimentos. Respirei fundo... e perguntei:  
Doutora, o que a senhora acha disso aqui? "O que é de um homem que não valoriza suas raízes, não cultua sua origem e se esquece, ou finge que se esquece, de onde veio"?
- Creio que é um axioma com muitas verdades. - disse e seguiu
- O senhor está muito filosofal hoje... mas o que isso tem a ver com nossa conversa?
- Explico, um amigo, aliás mais do que amigo, grafou e eu postei, em destaque, no meu blog porque entendi ser a melhor definição para a conduta de um ser humano. 
Com certeza, seu Dedé, são palavras que exprimem, em sua essência, uma forma correta de vida. - Ela fez uma pausa e eu aproveitei:
- Pois é doutora, o que me incomoda é que não vemos muito disso por aí.
Concordo - disse ela, e prosseguiu - Seu Dedé, o senhor deve saber que, no ser humano, não existe a perfeição, cada um tem direito à escolha, e não podemos julgar esse comportamento ou outros. 
Pois é... isso não deveria me incomodar, mas incomoda, talvez por meu estado depressivo. Engoli seco e emendeiPor exemplo, quando a mulher ou o homem declina de usar seu próprio sobrenome para ser reconhecido pelo sobrenome de seu parceiro. 
Sem dar tempo para  ela retrucar, acrescentei: 
- E mais, como desculpa dizem que isso  traz maior visibilidade, status, escondem o sobrenome familiar por um outro mais "atraente", tipo marketing, merchandising... e "esquece ou finge que esquece de onde veio"...
A doutora Ana Lisa revirou os olhos, fez uma pequena pausa, respirou fundo e arrematou:
- Vamos melhorar seu medicamento e, com o tempo, essas ideias não irão mais incomodá-lo. Concorda?
Assenti com a cabeça, mas não pude deixar de completar: 
Imagine doutora se eu trocasse o Gomes por Rockfeller,  Rothschild, Raskólnikov*...  seria, no mínimo, bizarro. Porém - completei sorrindo: jamais usaria o Trump... 
Dedé Trump...hum...
E, antes que ela me expulsasse do consultório, levantei, agradeci e fui saindo sem esquecer de pegar, com a recepcionista, uma nova receita...

*(Personagem de "Crime e Castigo", Dostoiévski)