quinta-feira, outubro 08, 2026

DE ADUBO E ERVAS DANINHAS




Nesses tempos de mudanças climáticas, primavera, plantio, quero dividir com vocês uma reflexão. 
Sabemos que o adubo é necessário para uma boa colheita e, como não sou um especialista, procurei ajuda do agro.*
Nessa busca, fiquei sabendo que o uso do adubo errado tem um efeito desastroso,  principalmente se o terreno não estiver bem preparado. 
Ele, o adubo (estrume), deve estar decomposto, leve, aerado, caso contrário o efeito será praticamente devastador: o terreno ficará repleto de ervas daninhas, essa área ficará sob o controle desse adubo (esterco).
Interessante, não?
Isso me possibilitou a fazer uma analogia com a política. 
Por que?
Explico: O adubo bruto (candidato) lançado a esses terrenos (pessoas) irá contaminá-los (ervas daninhas). 
Essas ervas vão crescendo sem controle, tantas vezes sem saber o motivo. Daí, a área da plantação é totalmente tomada pelas pragas. 
Infestado por esse adubo "mal curtido", o terreno passa a ter a forma, o feitio, molda-se aos mesmos malefícios daquele estrume inicial.
Não sei se me entendem, afinal, como eu disse, não sou um expert no assunto. Mas certamente a escolha do que plantamos define o que iremos colher. 
------------------------------------------
*Embrapa
Ilustração: IA

quarta-feira, setembro 23, 2026

2026: OLHE PARA CIMA!

Talvez você não saiba... Eu também não sabia.
Mas há uma ideia de "Banalidade do Mal", definida formalmente pela filósofa alemã Hannah Arendt. 
Anteriormente, esse conceito já havia sido desenhado por dois psiquiatras durante o julgamento de Nuremberg, quando detectaram, entre os réus nazistas, que existem indivíduos que abdicam totalmente da capacidade de julgar moralmente o que é certo ou errado. Essa responsabilidade é transferida para o governo, para o líder ou para a lei; eles se tornam "apenas" uma peça dessa engrenagem. 
Resumindo: o absurdo vira normal.  
Quer entender o problema? 
Fácil! É só observar o comportamento  atual de nossa classe política e demais autoridades. 
O certo, o correto, o honesto passam bem longe de ser a prioridade. O mea culpa simplesmente não existe. 
O que foi detectado, logo após o encerramento da II Guerra Mundial (1945), segue perfeitamente atual neste século XXI, 2026!
A diferença, abissal, é que eles, os que foram julgados e condenados, tinham um QI muito acima da média. 
Convenhamos, o que não é bem o "normal" em nossos dias. 
Uma inteligência que, no caso deles, só serviu para tornar a crueldade ainda mais imperdoável. 
A história se repete, mas os personagens mudam de rosto...
Atualmente a maioria das pessoas está dividida entre extremos, e isso só mostra como falta pensamento crítico. E aí posso lembrar do "Não olhe para cima", o filme.
Por que não "Olhe para cima!"
 
*Arendt, Hannah, Eichmann em Jerusalém. Companhia das Letras 1999 
*Don't Look Up  (Não olhe para cima)  2021.


 

segunda-feira, setembro 14, 2026

O "diagnóstico" da doutora.

          
 E lá vou eu para mais uma consulta com minha terapeuta, a doutora Ana Lisa. No início do tratamento, minha realidade era esta: eu passava as sessões sentado de costas para a doutora e, com o tempo, evoluí... circulava em pé pela sala.  
Só que, desta vez, estou com uma robofoot a imobilizar meu pé esquerdo. Há dificuldade para chegar, pois são três degraus a subir antes de alcançar a porta.
Ao abrir, a reação dela foi imediata. Surpresa, exclamou:  
—  Seu Dedé, o que é isso? O que aconteceu? Conte-me tudo  —  disse.
Já na sala, me acomodei na poltrona, de frente para ela e  - reticente -  esclareci:— Nada muito grave —  sorrindo:  — Apenas uma fascite plantar, um esporão no calcanhar... uma rutura parcial.
A doutora interrompeu: — Nada grave? Se o senhor não seguir as recomendações do ortopedista, as consequências serão piores. — E, mudando de assunto: — Seu emocional foi abalado por isso? 
—  Não  — afirmei convicto, e prossegui: — O que está me incomodando agora, nesse período eleitoral, são essas disputas entre esquerda e direita. Basta abrir as redes sociais e ver o verdadeiro cabo de guerra: de um lado, a oposição acusa a infiltração comunista ; de outro, lembram do fantasma do fascismo, nas figuras de Hitler, Mussolini e Franco.
—  Olha, seu Dedé, é preciso entender que esquerda e direita não levam a isso. Agora, quando aliadas ao extremismo, ao fanatismo e ao radicalismo, viram caminhos fáceis para o comunismo, de um lado; e o fascismo, do outro, pois anulam qualquer chance de diálogo democrático,  -  a doutora Ana Lisa resumiu.
Compreendo -  concordei e arrematei:  -  Sabe doutora, além disso há um quadro trágico atualmente: corrupção, roubalheira desenfreada, inversão de valores e, o pior, há quem pense até em uma "revolução"...
-  Muita calma nessa hora, seu Dedé  -  disse ela, completando - quem viveu aquela época e eu me coloco entre esses, sabe que um regime de exceção, uma ditadura, uma autocracia é, desculpe o termo, um cancro social... e vamos parar por aqui.
Com um olhar, minha terapeuta deu a entender que nosso tempo tinha terminado.
Agradeci o "diagnóstico", embora soubesse que, para essa doença coletiva, não existe receita médica.  
Despedi-me e tomei o rumo de casa querendo, o mais breve possível, me livrar do peso morto da robofoot, e não sei bem o porquê, me peguei pensando:
"Onde está o dinheiro? O gato comeu", "Podres poderes", "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos..."

  Nota: Talvez o leitor atual não saiba, mas minha terapeuta - a doutora Ana Lisa é -  há muito  - minha consultora para assuntos depressivos...

quarta-feira, agosto 19, 2026

O BOM E O MAU.


Um padeiro queria conhecer um mestre e este foi à padaria, disfarçado de mendigo. Lá chegando, pegou um pão e começou a comer.
O padeiro o espancou e o atirou à rua. 
Um discípulo que chegava interpelou: "Não vês que expulsastes o mestre que querias conhecer"?
Arrependido, o padeiro implorou: "O que posso fazer para que tu me perdoes, mestre?"  
"Nos convide para um banquete amanhã", foi a resposta.
Na manhã seguinte, mestre e discípulo foram à casa do padeiro e encontraram um farto banquete. Em meio ao ágape, o discípulo perguntou: "Mestre, como posso distinguir o homem bom, do mau?"
"Basta olhar este padeiro", respondeu o mestre. "É capaz de gastar dez moedas de ouro em um banquete porque sou célebre,  mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome...

(Autor desconhecido)


sábado, agosto 15, 2026

PRECE PODE SER TAMBÉM OFERENDA


             
Talvez você não saiba, mas há dois tipos de prece: 
O primeiro tipo é aquele onde pedimos que determinadas coisas aconteçam, tentando dizer ao CRIADOR o que ELE deve fazer...  
Não damos nem tempo nem espaço, queremos as coisas realizadas do nosso jeito e não no tempo DELE. 
Ficamos, então, com a sensação de que não fomos ouvidos.
O segundo tipo é aquele em que, mesmo sem compreender os caminhos do ALTO, deixamos que se cumpram em nós seus desígnios. Pedimos que nos poupe do sofrimento, que nos dê saúde, felicidade, mas, ao mesmo tempo, nos oferecemos como instrumentos de SUA vontade. 
Resumindo, quando entendemos que a vontade do CRIADOR se manifesta em nós, compreendemos nossa própria vida.
(Autor desconhecido)