No
consultório de minha terapeuta.
- Olá seu Dedé, entre, acomode-se no divã, relaxe. Tudo bem?
Enquanto ajeitava meu já desengonçado corpo, pensei: Se estivesse tudo bem, eu
não estaria alí...
Mas, preferi ficar só
no pensamento, e respondi:
- Vivendo e aprendendo
a jogar, doutora Ana Lisa. É difícil conviver com desonestidade,
desgraças, tragédias que acontecem à nossa volta e isso me entristece.
Em resposta,
silêncio.– Prossegui:
- Por aqui, violência crescente, insegurança; a intolerância levando à odiosa discriminação, isso somado à endêmica corrupção, com todos os envolvidos se dizendo
inocentes. Do outro lado, líderes mundiais tresloucados, insanos, ameaçam usar armas
nucleares e dar um fim ao que parece não ter dado certo, a raça humana.
Ela interrompeu:
- Compreendo sua indignação,
infelizmente estamos em uma época de transição, tempos difíceis e, sem entrar
no mérito das questões, entendo que cada um de nós deve fazer o melhor,
independente do que acontece à volta.
Comentário mais neutro, impossível - pensei - mesmo porque, ela já havia deixado claro, o escopo da terapia é confrontar o paciente com as verdades da vida. Ainda assim, uma dúvida permanecia:
- Doutora, será que algum dia conseguiremos conviver com aqueles que achamos “diferentes”, ou o lema é “o
inimigo mora ao lado”?
- Perguntas que merecem
uma reflexão, mas que, de minha parte, ficam sem resposta–disse ela, acrescentando:- O que posso garantir é que nosso tempo, por hoje, terminou,
sessão encerrada.
Saí de lá sentindo que nossas conversas estão ficando mais curtas; com um convite para refletir, mas com a certeza de que as
respostas estão comigo e se apresentarão no momento certo.
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