Nada melhor do que uma conversa com a doutora Ana Lisa - minha psicoterapeuta - para tentar equilibrar razão e emoção. No consultório, fui chegando e cumprimentando rapidamente:
- Bom dia.
- Bom dia seu Dedé. Fique sabendo que eu tinha certeza que o senhor me procuraria por estes dias.
- É mesmo? Por que?
- Ora, sei de sua paixão pelo futebol, sei que a Copa do Mundo terminou, o fiasco de nossa seleção...
E me acomodando no divã, interrompi:
- Desculpe, mas é isso mesmo, acertou. Dos milhões de brasileiros que se decepcionaram, eu sou um deles, esperava muito mais do time do seu conterrâneo, o Dunga (os dois são gaúchos, ela de Vacaria e ele de Ijuí).
- Mas no esporte é assim mesmo, um ganha outro perde... - ela estava tentando explicar o inexplicável.
- Ele, que nunca havia sido treinador, "ganhou" este cargo graças ao vitalício presidente da CBD, Ricardo Teixeira, e o resultado do "esquema tático" de grupo fechado, treinos secretos, concentração fechada, brigas com a imprensa, foi esse que todos sabemos.
- Seu Dedé - disse ela interrompendo - há uma teoria que explica a nossa personalidade a partir dos quatro elementos da natureza: fogo, água, terra e ar. As reações de impulsividade, raiva e cólera, enquadram o Dunga no elemento Fogo. Isso talvez explique o modo como ele encarou esse trabalho frente à seleção. Na hora, lembrei dos momentos em que ele socava a armação do banco de reservas...
- Tá bom doutora, mas... e daí? - já estava ficando inquieto naquele divã. -
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como dizem. Essa abordagem "médico/esotérica": Dunga igual a fogo, fogo igual a Dunga, só me faz concluir que chamuscados, queimados, quase em cinzas, ficamos nós os torcedores.
Foi o bastante para minha analista.
- Nosso tempo terminou - disse ela encerrando nossa conversa de hoje.
- Obrigado doutora e até a próxima.
Já na rua me veio à lembrança Fiori Giglioti, um dos ícones do rádio, com seus bordões: "Aguenta coração...Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo torcida brasileira", não agora no final da Copa, mas bem antes no dia 2 de julho quando, infelizmente para nós, o Mundial acabou. Apesar de tudo, sejamos otimistas desde já, recordando mais uma vez o Fiori que diria: "O tempo passa...abrem-se as cortinas e começa o espetáculo torcida brasileira...o Brasil está estreando na Copa de 2014".

Fiori Gigliotti - 1928 (Barra Bonita)
2006 (São Paulo)