sábado, maio 10, 2014

AMOR DE MÃE.


Amor inato, incondicional, de entrega total. Amei e continuo amando duas mulheres. Elas fizeram com que eu aprendesse as mais lindas lições na vida, me ensinaram e, melhor, exemplificaram. Duas Helenas. Uma me deu à luz, a outra ajudou a me criar. Sei que não sou o único, mas entendo ser um privilegiado por ter tido duas mães. Explico. 
Como minha mãe sempre trabalhou, ela nos deixava - a mim e a meu irmão - aos cuidados de minha avó (por sinal, mãe dela). Era essa "mãe" que nos levava à escola, às aulas de música, ao cinema, às rádios, aos desfiles e bailes de carnaval e até aos jogos do Santos na Vila Belmiro! 
Meu pai e minha mãe chegavam  em casa ao final da tarde. Ela cuidava dos afazeres domésticos, nos repreendia - quando necessário - planejava o dia seguinte e dava o exemplo de vontade aliada ao trabalho.
De minha avó Helena, ficou mais do que um exemplo de vida, ficou a prova de que o amor não tem limites; de minha mãe Helena, a herança de que a felicidade não está nos bens materiais e sim em uma vida vivida com honestidade, trabalho e dignidade, por sinal, o mesmo legado deixado por meu pai. São lembranças guardadas, eternamente, no mesmo lugar onde o amor está, no coração.

"O amor de uma mãe é paciente e tolerante quando todos os outros estão abandonando; nunca falha ou vacila, mesmo que o coração esteja partido". (Helen Steiner Rice)

segunda-feira, abril 14, 2014

Semana Santa, Domingo de Páscoa.


Para a cristandade, uma das mais importantes comemorações. Igualmente para os judeus, que celebram o Pessach por oito dias. Para os cristãos o significado da Ressurreição (voltar à vida) de Cristo; para os judeus, a "passagem", a libertação e fuga do povo hebreu do domínio egípcio e o início de um novo tempo.
A palavra Páscoa – Pessach, em hebraico –significa passagem. Para os judeus, ela representa a travessia pelo mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão do Egito para a liberdade na Terra Prometida. Para os cristãos, representa a passagem de Cristo pela morte, a tradição de que Jesus ressuscitou no terceiro dia após a crucificação.
A Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica porque a Paixão de Cristo aconteceu no início do Pessach – a festa judaica que dura sete dias em Israel e oito em outros países. A cerimônia conhecida como Última Ceia teria sido um Seder, o tradicional jantar realizado na véspera do início da Páscoa judaica.
Os alimentos que não poderiam faltar, no jantar da Páscoa Judaica, eram: o cordeiro assado, ervas amarga, ervas doces, pães ázimos e um molho doce. O cordeiro assado significa o sacrifício de Jahwé; as ervas amargas significam a vida sofrida dos escravos; o molho doce, significa a produção do trabalho; as ervas doces significam a salvação e o pão ázimo, a falta de tempo para poder fermentar a massa do pão, que saía do Egito. Apesar de receberem o mesmo nome, as duas celebrações não ocorrem necessariamente em datas coincidentes. A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio de primavera (de outono, no hemisfério sul). Já as comemorações da Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio. O início do Pessach e a Páscoa cristã podem ocorrer no mesmo dia, mas isso dificilmente ocorre.
Já o ovo é uma  tradição antiga que surgiu antes de Cristo. Na Europa, as pessoas trocavam ovos no Equinócio de 21 de março para celebrar o fim do inverno e o início da primavera (no Brasil, fim do verão e início do outono). Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, a troca de ovos começou a fazer parte da Semana Santa. Os cristãos passaram a ver no ovo um símbolo da ressurreição de Cristo. Naquela época,  as pessoas trocavam ovos de galinha decorados. A tradição dos ovos de chocolate começou na França e, a partir do século XIX e os ovos doces tomaram conta da comemoração.
No século XVI surgiu a tradição do coelho da Páscoa, bem mais recente se comparada à do ovo. Por se reproduzir rapidamente, simbolizando fertilidade e vida nova, o animal foi associado à Páscoa. Os alemães trouxeram o hábito para a América no século XIX. 
Mas, o mais importante de tudo isto, é tomar consciência do simbolismo dessa significativa comemoração e reformular conceitos, refazer o que está travado, visualizar e percorrer novos caminhos. Um detalhe fundamental é que essa nossa "ressurreição" ou "libertação", ao contrário dos eventos religiosos, não deve acontecer somente uma vez por ano, e sim ocorrer diariamente. Literalmente, a cada novo dia, uma nova vida.
FELIZ PÁSCOA !
CHAG PASSACH SAMEARH !

quarta-feira, março 19, 2014

REMINISCÊNCIAS













When I was young, young indeed, a pretty girl sang to me a song like this.....

"Céu, tão grande é o céu 
E bandos de nuvens que passam ligeiras 
Prá onde elas vão 
Ah! eu não sei, não sei 
E o vento que fala nas folhas 
Contando as histórias 
Que são de ninguém 
Mas que são minhas 
E de você também 
Ah! Dindi 
Se soubesses do bem que eu te quero 
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi 
Lindo Dindi 
Ah! Dindi 
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi 
Fica, Dindi, olha Dindi 
E as águas deste rio aonde vão eu não sei 
A minha vida inteira esperei, esperei 
Por você, Dindi 
Que é a coisa mais linda que existe 
Você não existe, Dindi 
Olha, Dindi 
Adivinha, Dindi 
Deixa, Dindi 
Que eu te adore, Dindi... Dindi".

But, she made a mistake: Dindi she changed to Dedé.
Wasn’t she lovely?


("Dindi" - Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira)

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

O SOM DO SILÊNCIO.







“Cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria. Observa, assim, em ti mesmo e deixa que a consciência te vigie a palavra.
Em toda conversação, na qual sejamos induzidos a examinar o comportamento do próximo submetido à censura alheia, vasculhemos o íntimo, concluindo se não teríamos praticado incorreções iguais ou maiores no lugar dele. E, em todas as circunstâncias, não nos esqueçamos de que, em nos queixando de alguém, estaremos nos intimando, automaticamente, a viver em nível mais alto e a fazer coisa melhor.”
Emmanuel, por Chico Xavier, no livro “Palavras de Vida Eterna”.

Desnecessário acrescentar palavras, conselhos e profundas divagações. A convocação a nos aperfeiçoarmos a cada dia, vigiando nossos atos e nossas palavras, está reluzindo acima, tal qual o sol em águas cristalinas. Vamos então nos abstrair do mundo exterior e, como dizem os mestres esotéricos, ouvir aquela voz que - segundo a crença de cada um de nós - poderá ser de um ente superior, do seu anjo da guarda, do seu mentor, do seu “eu” interior ou de sua intuição. Ela vai nos incitar a esse aperfeiçoamento. É um aprendizado que ninguém poderá nos ensinar. Porque o máximo que uma pessoa conseguirá  passar é uma informação e só a informação não basta. É necessário que o som do silêncio nos traga as “palavras” que são emanadas e fluem no ar e que só cada um de nós poderá ouvir. Só saberemos e conheceremos  quando vivenciarmos, quando sentirmos diretamente o que o som do silêncio está dizendo. É uma experiência fantástica. A propósito, você deve conhecer esta frase: “Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!  

segunda-feira, novembro 18, 2013

INOCENTES?












- Ah, doutora Ana Lisa, é ao menos cômico, se não fosse trágico, ouvir os brados desses envolvidos no chamado mensalão, alegando inocência.
Assim iniciei mais uma visita à minha terapeuta, a doutora Ana Lisa, que já sabe o quanto me revoltam, me desequilibram, esses acontecimentos onde a honestidade não é regra. Já estirado no divã há alguns minutos, eu não parava de vociferar contra a situação atual, enquanto ela mantinha silêncio.
- O mesmo acontece com o esquema da máfia do ISS na Prefeitura paulistana, eles alardeiam inocência – prossegui.
Aí, ela interveio:
- Mas são situações diferentes, seu Dedé.
- Diferentes no nome, mas no conteúdo são iguais. É a corrupção à solta, é o dinheiro comprando tudo e todos – eu respondi.
- Acalme-se – disse ela, e completou: - Infelizmente na política e na administração pública, isso parece ser uma tendência mundial.
- Pode ser doutora, é o sinal dos tempos como dizem, mas o que nos interessa é o que acontece por aqui. Total descrença nos homens que deveriam dar o melhor exemplo.  
- Concordo.
- Tem mais, o tal de propinoduto, envolvendo multinacionais na venda de trens e peças para o governo paulista. Outro exemplo da malversação do dinheiro público.
- Sem dúvida, o senhor está mais do que certo. Mas, no que diz respeito à terapia e ao paciente, há necessidade de se manter mais calmo, mais tranqüilo, essas situações não podem e não devem interferir no seu psicológico.
- Doutora, mas eles, todos eles, se dizem inocentes! Inocentes? Inocente sou eu, inocentes são todos os cidadãos que insistem em acreditar na classe política, uma classe desclassificada. Inocente sou eu, a senhora, somos nós que confiamos em quem deveria cuidar da administração do dinheiro público.
Respirei profundamente, me acomodei melhor, tentei relaxar. De repente, ela disse em tom de revelação:
- Seu Dedé, se o senhor acha que somos inocentes, talvez seja melhor, ingênuos, eu entendo que encontrei os culpados.
- Culpados de quê, como assim, quem são?
- Somos nós também. Inocentes no sentido de neles acreditar, e culpados porque, através do voto, colocamos essas pessoas nos cargos públicos, são nossos representantes. Percebe? Os políticos estão lá porque foram eleitos, a maioria deu o voto a eles. E eles indicam os auxiliares, os assessores e por aí vai... Não pense que devemos, a partir disso, condenar a democracia. Os que usam o cargo público em benefício próprio devem ser julgados e condenados pela justiça.    
- Sábias palavras doutora. A senhora, com a competência que lhe é peculiar, definiu a questão. Confesso que não tinha essa visão sobre o assunto.
- Pense nisso, concluiu ela – encerrando nossa conversa.
Ao deixar o consultório, saí certo de que podemos ser, ao mesmo tempo, inocentes e culpados, ao menos terapeuticamente falando... ...