" O QUE É DE UM HOMEM QUE NÃO VALORIZA SUAS RAÍZES, NÃO CULTUA SUA ORIGEM E SE ESQUECE, OU FINGE QUE ESQUECE, DE ONDE VEIO? " (AVIV).
quarta-feira, março 19, 2014
REMINISCÊNCIAS
When I was young, young indeed, a pretty girl sang to me a song like this.....
"Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão
Ah! eu não sei, não sei
E o vento que fala nas folhas
Contando as histórias
Que são de ninguém
Mas que são minhas
E de você também
Ah! Dindi
Se soubesses do bem que eu te quero
O mundo seria, Dindi, tudo, Dindi
Lindo Dindi
Ah! Dindi
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindi
Fica, Dindi, olha Dindi
E as águas deste rio aonde vão eu não sei
A minha vida inteira esperei, esperei
Por você, Dindi
Que é a coisa mais linda que existe
Você não existe, Dindi
Olha, Dindi
Adivinha, Dindi
Deixa, Dindi
Que eu te adore, Dindi... Dindi".
But, she made a mistake: Dindi she changed to Dedé.
Wasn’t she lovely?
("Dindi" - Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira)
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
O SOM DO SILÊNCIO.
“Cada vez que nossos lábios cedem ao impulso da
queixa, quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria.
Observa, assim, em ti mesmo e deixa que a consciência te vigie a palavra.
Em toda conversação, na qual sejamos induzidos a
examinar o comportamento do próximo submetido à censura alheia, vasculhemos o
íntimo, concluindo se não teríamos praticado incorreções iguais ou maiores no
lugar dele. E, em todas as circunstâncias, não nos esqueçamos de que, em nos
queixando de alguém, estaremos nos intimando, automaticamente, a viver em nível
mais alto e a fazer coisa melhor.”
Emmanuel,
por Chico Xavier, no livro “Palavras de Vida Eterna”.
Desnecessário acrescentar
palavras, conselhos e profundas divagações. A convocação a nos aperfeiçoarmos a
cada dia, vigiando nossos atos e nossas palavras, está reluzindo acima, tal
qual o sol em águas cristalinas. Vamos então nos abstrair do mundo exterior e,
como dizem os mestres esotéricos, ouvir aquela voz que - segundo a crença de
cada um de nós - poderá ser de um ente superior, do seu anjo da guarda, do seu
mentor, do seu “eu” interior ou de sua intuição. Ela vai nos incitar a esse
aperfeiçoamento. É um aprendizado que ninguém poderá nos ensinar. Porque o
máximo que uma pessoa conseguirá passar é uma informação e só a
informação não basta. É necessário que o som do silêncio nos traga as
“palavras” que são emanadas e fluem no ar e que só cada um de nós poderá ouvir.
Só saberemos e conheceremos quando vivenciarmos, quando sentirmos
diretamente o que o som do silêncio está dizendo. É uma experiência fantástica. A
propósito, você deve conhecer esta frase: “Quem
tiver ouvidos para ouvir, que ouça!”
segunda-feira, novembro 18, 2013
INOCENTES?
- Ah, doutora Ana Lisa, é ao menos cômico, se não fosse
trágico, ouvir os brados desses envolvidos no chamado mensalão, alegando inocência.
Assim iniciei mais uma visita à minha terapeuta, a doutora
Ana Lisa, que já sabe o quanto me revoltam, me desequilibram, esses
acontecimentos onde a honestidade não é regra. Já estirado no divã há alguns minutos, eu não
parava de vociferar contra a situação atual, enquanto ela mantinha silêncio.
- O mesmo acontece com o esquema da máfia do ISS na Prefeitura
paulistana, eles alardeiam inocência – prossegui.
Aí, ela interveio:
- Mas são situações diferentes, seu Dedé.
- Diferentes no nome, mas no conteúdo são iguais. É a
corrupção à solta, é o dinheiro comprando tudo e todos – eu respondi.
- Acalme-se – disse ela, e completou: - Infelizmente na
política e na administração pública, isso parece ser uma tendência mundial.
- Pode ser doutora, é o sinal dos tempos como dizem, mas o
que nos interessa é o que acontece por aqui. Total descrença nos
homens que deveriam dar o melhor exemplo.
- Concordo.
- Tem mais, o tal de propinoduto, envolvendo multinacionais na
venda de trens e peças para o governo paulista. Outro exemplo da malversação do
dinheiro público.
- Sem dúvida, o senhor está mais do que certo. Mas, no que
diz respeito à terapia e ao paciente, há necessidade de se manter mais calmo,
mais tranqüilo, essas situações não podem e não devem interferir no seu
psicológico.
- Doutora, mas eles, todos eles, se dizem inocentes!
Inocentes? Inocente sou eu, inocentes são todos os cidadãos que insistem em
acreditar na classe política, uma classe desclassificada. Inocente sou eu, a
senhora, somos nós que confiamos em quem deveria cuidar da administração do
dinheiro público.
Respirei profundamente, me acomodei melhor, tentei relaxar.
De repente, ela disse em tom de revelação:
- Seu Dedé, se o senhor
acha que somos inocentes, talvez seja melhor, ingênuos, eu entendo que
encontrei os culpados.
- Culpados de quê, como assim, quem são?
- Somos nós também. Inocentes no sentido de neles acreditar, e
culpados porque, através do voto, colocamos essas pessoas nos cargos públicos, são
nossos representantes. Percebe? Os políticos estão lá porque foram eleitos, a
maioria deu o voto a eles. E eles indicam os auxiliares, os assessores e por aí
vai... Não pense que devemos, a partir disso, condenar a democracia. Os que usam o
cargo público em benefício próprio devem ser julgados e condenados pela justiça.
- Sábias palavras doutora. A senhora, com a competência que
lhe é peculiar, definiu a questão. Confesso que não tinha essa visão sobre o
assunto.
- Pense nisso, concluiu ela – encerrando nossa conversa.
Ao deixar o consultório, saí certo de que podemos ser, ao
mesmo tempo, inocentes e culpados, ao menos terapeuticamente falando... ...
domingo, setembro 15, 2013
TERAPIA INFRINGENTE?
Não havia se passado uma semana, e lá estava eu na
sala de espera do consultório da Dra. Ana Lisa, minha psicanalista, folheando
revistas médicas e outras mais antigas, inclusive “O Cruzeiro”, “Cinelândias”,
“Revistas do Rádio”... Cá entre nós, não sei de onde vem tanto mofo, talvez,
relíquias da família. De repente, abre-se a porta e surge a figura indefectível
da doutora, aquele olhar enigmático por trás das lentes de contato.
-
Bom dia, por favor, entre. - E antes que eu pudesse descansar meu corpo exausto
naquele já meu conhecido divã, ela adverte:
-
Pois é seu Dedé - às vezes ela era formal demais - não gostei nada de sua
atitude em nossa última sessão. O senhor saiu furtivamente e eu fiquei aqui
falando sozinha...
-
Bom dia Dra. Ana Lisa e perdão, a senhora, melhor dizendo, você – eu disse, querendo
retomar a informalidade - tem razão. Fui um tanto mal educado, reconheço. Fique
tranqüila, não tenho nada contra a terapia, mas havia um compromisso
profissional inadiável, já estava em cima da hora e...
- Certo seu Dedé, mas espero que isso não mais aconteça, afinal o nosso
compromisso, ou seja, sua terapia deve ter prioridade. Acomode-se.
Ajeitei-me o
melhor possível, semicerrei os olhos e aguardei.
- Pode falar, conte-me tudo! – Ela foi incisiva.
- Ah,
tantas novidades, ou melhor dizendo, dúvidas nascidas desses últimos
acontecimentos. Por exemplo: um deputado presidiário que não tem o mandato
cassado... o “épico” julgamento do mensalão... os embargos infringentes... a
espionagem norte-americana, tantas idas e vindas que me sinto até embargado,
não juridicamente é claro.
-
Entendo – disse ela – isso acontece de tempos em tempos. Como dizem atualmente,
é a fase. Esses debates, essas discussões, fazem parte do jogo democrático, não
se incluindo aí a corrupção e muito menos a intervenção do “Big Brother” do
mundo, dando uma espiadinha em assuntos alheios.
-
Sabe, tenho a impressão de que estamos sendo testados, colocados à
prova.
-
Tal e qual em sua vida pessoal, seu Dedé?
-
Isso mesmo. Tudo isso remete àquela conversa sobre existencialismo: o que
estamos fazendo aqui, por que estamos aqui?
O porquê disso, o porquê daquilo. Nos últimos dias – prossegui – medito,
dito a mim, seja lá o que isso quer dizer, buscando encontrar respostas, mas
volto sempre à estaca zero. Sinceramente, a única certeza que tenho é que a
verdade, nunca saberemos.
- Não
seu Dedé, essa certeza não é e não será a única, muitas outras virão no
decorrer do tempo. Veja bem, nossa conversa derivou dos assuntos políticos para
o seu lado pessoal, foi traçado um paralelo interessante, isso já é um avanço
em sua terapia. A propósito, lembrei de uma citação que pode levar o senhor à
uma boa reflexão sobre esses questionamentos: “Nada parece verdadeiro que não
possa parecer falso”.* Pense nisso.
Percebi que nossa conversa, por ora, havia terminado. Aliviado, me ergui e me despedi, certo de que a resposta aos
meus porquês poderia estar naquelas palavras. Ou não...
*Frase
do ensaísta, filósofo e escritor francês Michel Eyquem de MONTAIGNE.
(1533/1592)
quinta-feira, agosto 29, 2013
A TORRE DE BABEL É AQUI.
Percorrendo
caminhos, navegando por mares já antes navegados, de repente me ocorreu um
pensamento e veio a certeza de que a bíblica torre de babel é, na verdade, o nosso mundo. Culturas, línguas, etnias,
comportamentos diferentes, formam esta “confusão” onde a humanidade está
instalada. Não fosse a língua inglesa fazer o papel de comunicador universal, por
ser o idioma das maiores potências e por outras razões que, no momento, não
cabe discutir, nós até hoje estaríamos nos comunicando pelo gestual. E a reboque
destas, digamos, elocubrações, vem a discussão sobre o nosso verdadeiro papel
enquanto seguimos nossos caminhos nesta existência, a forma como encaramos esta
nossa passagem.
A
pergunta é inevitável: devemos ter uma visão clara de nossas responsabilidades
morais e espirituais, de nossas obrigações, ou passaremos a vida reclamando de
tudo e de todos, sem perceber que há uma Luz que guia nossos passos, nos
mostrando o caminho? Não conseguimos enxergar o que se mostra tão claro,
enfrentamos toda a sorte de reveses sem ter consciência da resposta que, talvez no
inconsciente, sempre soubemos: viver é uma arte.
E a
arte de saber viver está diretamente ligada ao nosso modo de encarar, primeiro,
a nós mesmos, ou seja, o “conhece-te a ti mesmo”. A partir do momento em que
iniciarmos a mudança de velhos conceitos arraigados, quando começarmos a nos
reformar intimamente, erguendo bem acima as virtudes e sepultando os vícios, aí
sim nossa existência tomará o verdadeiro sentido.
Esse
aprendizado pode ser lento, demorado, mas com a certeza de que tudo que
enfrentarmos servirá de bagagem para nossa evolução. E, sem dúvida, independente
de língua, cultura, etnia, é uma experiência maravilhosa essa arte, a arte de
saber viver.
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