sexta-feira, janeiro 04, 2013

A Vida e a Viagem de Trem

A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques com agradáveis surpresas, desembarques com grandes tristezas e alguns acidentes.
Quando nascemos, entramos e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente isso não é verdade. Em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis. Isso porém não impedirá que, durante o percurso, embarquem pessoas que se tornarão muito especiais para nós.  Chegam então nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!
Muitas pessoas estarão nesse trem, várias quando desembarcam deixam saudades eternas; outros, quando desocupam seu assento, sequer são percebidos. Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, o que não nos impede de ir encontro deles. É assim a viagem, repleta de sonhos, fantasias, atropelos, esperas, despedidas, porém, jamais, retornos. 
Façamos, então, essa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento, eles poderão fraquejar e nós, provavelmente, também fraquejaremos.
O grande mistério, é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito menos onde descerão nossos companheiros de viagem e nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
Fico imaginando se, quando descer desse trem, sentirei saudades... acredito que sim.  Deixar as amizades que fiz será no mínimo doloroso; deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste, com certeza; mas me sustento na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal e os verei chegar. Provavelmente, eles estarão com uma bagagem que não possuíam quando embarcaram, e o que me deixará mais feliz será a certeza de que, de alguma forma, colaborei para que essa bagagem tenha se tornado valiosa.

Amigo, faça com que a nossa estada nesse trem seja tranquila, compensadora, um verdadeiro processo evolutivo e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o vazio do nosso lugar deixe saudade e boas recordações para aqueles que prosseguirem nessa viagem.

(Adaptado de um texto de autor desconhecido)


sexta-feira, dezembro 28, 2012

A ÚLTIMA DO ANO


                                                          
Era meu último encontro com a dra. Ana Lisa neste 2012. Cheguei bem antes do horário marcado, sabia que, nesta época,  ela tem uma agenda corrida  e mais curta. Minha terapeuta viaja para rever os familiares e passar as festas de fim do ano em sua cidade natal, Vacaria, no Rio Grande do Sul. Já acomodado na sala de espera, aguardei pacientemente - entre revistas antigas, café e água - pensando e refletindo sobre a inflexibilidade do tempo
.- Sr. Dedé, a doutora está à sua espera - a recepcionista me chamou à realidade.
- Bom dia - cumprimentei, entrando.
- Como vai? - perguntou minha analista, com um sorriso disfarçado. E completou, apontando para o divã- Fique à vontade.
- Está tudo bem, venho vê-la pela última vez este ano, é mais uma visita pessoal... ...cumprimentá-la pelas festas de fim de ano - eu disse.
- Ah, entendo. Se bem que, em terapia, o pessoal e o clínico estão praticamente interligados, quem vem ao consultório traz seus problemas pessoais, vem expor sentimentos.
- Verdade... Talvez eu tenha me expressado mal, mas o principal motivo é um agradecimento,  agradecer o "trabalho" realizado, os resultados positivos testemunhados por todos - afirmei com uma convicção especial -  e acrescentei:  -  também desejar um ano novo pleno de realizações em sua vida pessoal e profissional. 
- Obrigada, da mesma forma, e espero que nossas conversas tenham sido e continuem a ser um fator positivo para o senhor ter uma melhor quallidade de vida.
Dito isto, instalou-se um silêncio profundo na sala por um tempo que não sei precisar, mas que, por ser inflexível, indicou que a conversa havia terminado.
Levantei do divã, trocamos um abraço respeitoso e nos despedimos.
Ao cruzar a porta, virei para a dra. Ana Lisa e, curiosamente, comentei:
- Li, em algum lugar, que "os psicoterapeutas, os psiquiatras, são aquelas pessoas que entendem tudo o que nós dizemos,  mesmo que não saibamos o que estamos dizendo..."  É verdade?
Esboçando um sorriso, ela respondeu:
- Se não fosse, nós nunca teríamos nos conhecido... ... 

....................
O tempo. 
Ora, o tempo é inflexível, rápido e, talvez, nós envelhecemos sem perceber. A chegada de um novo ano é sempre uma nova esperança. Esperança de uma vida melhor, sonhos de prosperidade, usufruir a vida em todos o momentos. A maioria conhece a frase do poema de Horácio: "Carpem diem quam minumum credula postero". Ou seja, colha o dia ou aproveite o momento, evite gastar o tempo com coisas inúteis, aproveite ao máximo os prazeres da vida.
Mas, viver a vida, não consumi-la. 

Em 2013, saúde, muitas conquistas, paz e sucesso.:

 (Ilustração:good-wallpapers)

sexta-feira, dezembro 14, 2012

MENSAGEM



Que o Natal nos traga tempos de paz, luz, alegria e gratas recordações. Relembrar nossa infância, repleta de fantasias, expectativas. Revivermos o carinho de nossos pais, da família e de todos que, positivamente, marcaram nossas vidas. 
"Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável. Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída".
(Assim falou Mahatma Gandhi).

sábado, novembro 10, 2012

NOTÍCIAS DO MUNDO REAL.


Foi destaque a nota, publicada na Folha na semana que se finda, informando que neste 2012, só 4% dos deputados compareceram às votações na Câmara Federal. 
Chama, porém, a atenção o fato inusitado, insólito e, ao mesmo tempo cômico, de que entre esses frequentadores - 18 no total - um dos mais assíduos é o TIRIRICA.
Você deve lembrar que durante a campanha, o slogan do palhaço era que o Congresso "pior do que está não fica"....  A realidade, na prática, é outra.
Alguém poderá dizer que frequência não significa trabalho, concordo. Tanto que o Tiririca, mesmo sendo um dos mais assíduos, nunca discursou no plenário, entendo eu que por motivos mais do que óbvios... Porém, apresentou sete projetos de lei.
Mas o pior mesmo é a ausência. Além de não comparecerem, evidentemente não trabalhando, os faltosos nobres deputados, cobertos pela lona da impunidade, se omitem, não justificam o polpudo salário pago pelo cidadão.
E a minha pergunta é esta: "Afinal, quem é o palhaço?"  

sábado, novembro 03, 2012

A SEGURANÇA SEGURA.


- Ué seu Dedé, falando sozinho? Bom dia.
Era a dra. Ana Lisa, minha terapeuta, me chamando à razão. Já estava acomodado no divã (a recepcionista havia liberado minha entrada na sala) meditando e, sem perceber, pensando em voz alta.
- Bom dia doutora, respondi e expliquei: essa escalada de violência já fez 162 mortes desde o início de outubro, entre essas 89 PMs, ônibus incendiados e o governo do estado, através do Secretário de Segurança, diz que tudo está sob controle, que não há uma guerra entre a bandidagem e a polícia...
- Compreendo, mas esses acontecimentos não deveriam interferir em seu comportamento.
- Mas interfere sim, e não só no meu. As pessoas passam a se sentir acuadas, com medo, prisioneiras em suas casas.
Enquanto eu falava, minha psicoterapeuta já havia se colocado à retaguarda do divã, rabiscando anotações que só ela poderia decifrar. E disse:
- Feliz ou infelizmente, as autoridades rezam pela mesma cartilha, com declarações que tentam minimizar os fatos, talvez para não espalhar o pânico.
- Para que não se instale o pânico, tudo bem. Mas, esconder a verdade, tentando distorcer uma realidade que todos veem e sentem, não é certo. Ainda mais, doutora, quando o que é dito é feito de maneira arrogante. - E acrescentei:
- Até parece que o Secretário teve algumas aulas com o candidato derrotado...
- Bem, seu Dedé, não vamos entrar em detalhes políticos. Ideologias não fazem parte da psicoterapia, se bem que, às vezes, podem levar à loucura.  
Era evidente que a dra. Ana Lisa não estava gostando nada do rumo que a conversa estava tomando e resolvi mudar de assunto. Virando a cabeça, tentei dar uma olhadinha de soslaio, dizendo:
- Vou falar sobre beleza... 
- Beleza? 
- Isso. Mas a beleza e os seus dois lados, aquele que inspira os artistas e o que a torna violenta, destruidora...
- Não entendi - ela me interrompeu denotando surpresa. - Será que foi alguém que o senhor conheceu, alguma musa que apareceu em seu caminho?
- Não, não é nenhuma mulher que esteja me tirando o sono... mesmo porque, como muitos dizem, "eu já fui bom nisso"...
A doutora balbuciou um "hum, hum" e percebi que se reposicionou na poltrona.
- Estou falando da linda, da belíssima Natureza, que muitas vezes exibe seu lado destruidor, no caso, esse furacão lá nos Estados Unidos que, por sinal, tem nome feminino, Sandy.
- Ah... sei - ela disse, esboçando um sorriso e sentenciando: - O ser humano nunca terá como vencer a força, o poder que ela tem. O tanto que ela nos encanta é igual ao domínio que tem sobre  nós.
- Infelizmente, continuamos a agredi-la, tomando espaços, invadindo áreas de preservação, poluindo - e esclareci - não é o caso dessa catástrofe natural,  mas precisamos ter consciência de que tudo que  fizermos contra ela, nos será cobrado. 
- Com certeza. O senhor está ecologicamente correto e percebo, bem mais calmo depois desta nossa conversa.
- Bem, é exatamente para isso que há algum tempo deito neste divã: colocar meus pensamentos para fora, "libertar meus fantasmas" e, graças à doutora, estou conseguindo.
- Nosso tempo, por hoje, acabou - ela disse, já de pé, encerrando a consulta não sem antes guardar, em segurança, aquele indefectível bloquinho de anotações.
- Até a próxima - me despedi, atravessando lentamente a porta em direção ao mundo real.