sábado, novembro 10, 2012

NOTÍCIAS DO MUNDO REAL.


Foi destaque a nota, publicada na Folha na semana que se finda, informando que neste 2012, só 4% dos deputados compareceram às votações na Câmara Federal. 
Chama, porém, a atenção o fato inusitado, insólito e, ao mesmo tempo cômico, de que entre esses frequentadores - 18 no total - um dos mais assíduos é o TIRIRICA.
Você deve lembrar que durante a campanha, o slogan do palhaço era que o Congresso "pior do que está não fica"....  A realidade, na prática, é outra.
Alguém poderá dizer que frequência não significa trabalho, concordo. Tanto que o Tiririca, mesmo sendo um dos mais assíduos, nunca discursou no plenário, entendo eu que por motivos mais do que óbvios... Porém, apresentou sete projetos de lei.
Mas o pior mesmo é a ausência. Além de não comparecerem, evidentemente não trabalhando, os faltosos nobres deputados, cobertos pela lona da impunidade, se omitem, não justificam o polpudo salário pago pelo cidadão.
E a minha pergunta é esta: "Afinal, quem é o palhaço?"  

sábado, novembro 03, 2012

A SEGURANÇA SEGURA.


- Ué seu Dedé, falando sozinho? Bom dia.
Era a dra. Ana Lisa, minha terapeuta, me chamando à razão. Já estava acomodado no divã (a recepcionista havia liberado minha entrada na sala) meditando e, sem perceber, pensando em voz alta.
- Bom dia doutora, respondi e expliquei: essa escalada de violência já fez 162 mortes desde o início de outubro, entre essas 89 PMs, ônibus incendiados e o governo do estado, através do Secretário de Segurança, diz que tudo está sob controle, que não há uma guerra entre a bandidagem e a polícia...
- Compreendo, mas esses acontecimentos não deveriam interferir em seu comportamento.
- Mas interfere sim, e não só no meu. As pessoas passam a se sentir acuadas, com medo, prisioneiras em suas casas.
Enquanto eu falava, minha psicoterapeuta já havia se colocado à retaguarda do divã, rabiscando anotações que só ela poderia decifrar. E disse:
- Feliz ou infelizmente, as autoridades rezam pela mesma cartilha, com declarações que tentam minimizar os fatos, talvez para não espalhar o pânico.
- Para que não se instale o pânico, tudo bem. Mas, esconder a verdade, tentando distorcer uma realidade que todos veem e sentem, não é certo. Ainda mais, doutora, quando o que é dito é feito de maneira arrogante. - E acrescentei:
- Até parece que o Secretário teve algumas aulas com o candidato derrotado...
- Bem, seu Dedé, não vamos entrar em detalhes políticos. Ideologias não fazem parte da psicoterapia, se bem que, às vezes, podem levar à loucura.  
Era evidente que a dra. Ana Lisa não estava gostando nada do rumo que a conversa estava tomando e resolvi mudar de assunto. Virando a cabeça, tentei dar uma olhadinha de soslaio, dizendo:
- Vou falar sobre beleza... 
- Beleza? 
- Isso. Mas a beleza e os seus dois lados, aquele que inspira os artistas e o que a torna violenta, destruidora...
- Não entendi - ela me interrompeu denotando surpresa. - Será que foi alguém que o senhor conheceu, alguma musa que apareceu em seu caminho?
- Não, não é nenhuma mulher que esteja me tirando o sono... mesmo porque, como muitos dizem, "eu já fui bom nisso"...
A doutora balbuciou um "hum, hum" e percebi que se reposicionou na poltrona.
- Estou falando da linda, da belíssima Natureza, que muitas vezes exibe seu lado destruidor, no caso, esse furacão lá nos Estados Unidos que, por sinal, tem nome feminino, Sandy.
- Ah... sei - ela disse, esboçando um sorriso e sentenciando: - O ser humano nunca terá como vencer a força, o poder que ela tem. O tanto que ela nos encanta é igual ao domínio que tem sobre  nós.
- Infelizmente, continuamos a agredi-la, tomando espaços, invadindo áreas de preservação, poluindo - e esclareci - não é o caso dessa catástrofe natural,  mas precisamos ter consciência de que tudo que  fizermos contra ela, nos será cobrado. 
- Com certeza. O senhor está ecologicamente correto e percebo, bem mais calmo depois desta nossa conversa.
- Bem, é exatamente para isso que há algum tempo deito neste divã: colocar meus pensamentos para fora, "libertar meus fantasmas" e, graças à doutora, estou conseguindo.
- Nosso tempo, por hoje, acabou - ela disse, já de pé, encerrando a consulta não sem antes guardar, em segurança, aquele indefectível bloquinho de anotações.
- Até a próxima - me despedi, atravessando lentamente a porta em direção ao mundo real.
   

domingo, outubro 28, 2012

ALEA JACTA EST



O antes...
É hora de escolher. E seja em qualquer situação, é sempre um momento dificil. Será que é isso mesmo que queremos? Será que estamos fazendo a melhor escolha? 
Não tenho competência, muito menos pretensão de ser um analista político,  mas nesta nossa conversa iniciada em pleno dia de votação e com o quadro atual das opções apresentadas, esta decisão necessariamente será feita pelo "menos pior".
Vamos aguardar o resultado das urnas para, então, comprovarmos o que foi dito. Ou não...
ALEA JACTA EST , A sorte está lançada!

E o depois...
E chegando ao fim a apuração em São Paulo, pode-se dizer, ideologias à parte, que a derrota do candidato José Serra deve-se muito à sua imagem de arrogância, prepotência e "sinceridade". Além disso, o PSDB não soube inovar suas lideranças, são sempre os mesmos e o distanciamento em relação às classes menos favorecidas é evidente. "O PSDB precisa voltar a ter uma atitude próxima do que o povo está sentindo; o partido vai precisar de renovação". São palavras textuais do maior líder do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que, por mistérios insondáveis da política, esteve praticamente ausente da campanha de José Serra.
Some-se a isso, a violência crescente em São Paulo (só neste fim de semana, mais de 40 pessoas foram baleadas), com o governador Alckmin insistindo em negar que haja "uma guerra entre bandidos e a polícia" e atribuindo essa escalada às ações "para cortar o fluxo de dinheiro do crime organizado", descartando inclusive a troca do Secretário da Segurança Pública.
O resultado das urnas pode ser entendido como um alerta às lideranças tucanas e uma resposta à violência sem fim na capital paulista.




sábado, setembro 08, 2012

A AUTOAJUDA, AJUDA?

Há uns três ou quatro minutos estava deitado, naquele já conhecido divã, na sala de minha terapeuta, a Dra. Ana Lisa. Ouvia-se, no som do silêncio, o tic-tac monótono do relógio, colocado estrategicamente na parede lateral esquerda, de onde ela podia, sem esforço, acompanhar o tempo da consulta. Aquele som, sempre precedia o início de nossas conversas.

- Sabe doutora, quando vinha pra cá minha cabeça estava cheia de assuntos, tantas novidades desde o nosso último encontro e, de repente, parece que tudo se foi, esqueci ou está travado, não encontro as palavras.

Disse isso e fiquei no aguardo de que ela comentasse alguma coisa, mas nada. Silêncio.

Continuei:

- Bem, já que preciso falar ... veja, por exemplo, esse negócio de autoajuda, autoisso, autoaquilo; trazem até fórmulas para o ser humano melhorar, progredir e até fazer fortuna. Mas só vai até aí, não?

Silêncio.

Prossegui:

- Trazer melhora financeira só mesmo para quem escreve, porque a maioria deles tem uma vendagem expressiva, tornam-se best-sellers - dei uma esticada nas pernas e continuei - Ah... sim, mas o que eu acho mesmo é que deve ser fácil falar, escrever e passar mensagens positivas e daí minha dúvida doutora. Será que todos esses autores realmente exemplificam o que dizem, será que essas pessoas, no cotidiano, agem da forma como ensinam nos livros?

Minha psicoterapeuta não resistiu:

- O seu pensamento tem lógica seu Dedé. Mas também entendo que só o fato das mensagens desses livros cumprirem o objetivo de provocar, digamos, um choque nas pessoas e elas, a partir disso, tentarem dar um novo enfoque às suas vidas, já tem um mérito... E mais, talvez para o leitor o que o escritor faz na vida pessoal pouco vai importar.

- Ah, doutora Ana Lisa, seria então alguma coisa parecida com “faça o que eu digo (escrevo) mas não faça o que eu faço?”

- Bingo! Essa é a realidade, é por aí que a humanidade caminha. “Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem que descobrir por si mesmo de que modo específico pode ser salvo”. Sabe de quem são essas palavras, seu Dedé?

- Não.

- Pois é, ninguém menos do que Sigmund Freud.

... ...

Ora – pensei - se o “pai da psicanálise” assim falou, nada mais precisaria ser dito ou conversado em nosso encontro de hoje.

Levantei ligeiro.

- Até a próxima – disse ela.

Saí e fechei a porta sem fazer barulho.

segunda-feira, julho 16, 2012

AQUELE QUE ERA SEM NUNCA TER SIDO.


E Demóstenes Torres foi cassado por quebra de decoro parlamentar. O arauto da ética, o paradigma da democracia, dos bons costumes, perdeu o cargo de Senador da República. 56 senadores votaram a favor, 19 contra, 5 abstenções e uma ausência.

Duas perguntas ficam martelando nossa cabeça, sem encontrarmos a resposta.: quem seriam os 19 que votaram contra a cassação? E os 5 que se abstiveram?

Pensando bem, cabe até uma outra pergunta. Esses 19 do Senado poderiam ser chamados de coniventes, cúmplices e favoráveis ao comportamento do ex-senador?

Não é necessário um raciocínio mais aprofundado para chegar-se à conclusão de que, se votaram contra a perda do mandato, é porque, no mínimo, concordam com a postura de Demóstenes; apoiaram a forma de agir, estão a favor da presumida ética, da moral tão alardeada no púlpito da mais alta instância do legislativo brasileiro.

E o que dizer dos 5 que não votaram?

Popularmente, "ficaram em cima do muro... nem a favor, nem contra... muito pelo contrário..." Simplesmente, deixaram - sabe-se lá por quais razões - de emitir suas opiniões.

Todos esses nossos representantes no Senado se escudaram nessa excrecência chamada: voto secreto em processos de cassação.

O que apenas conhecemos é um único nome, justamente daquele que faltou à sessão, o maranhense Clóvis Fecury do DEM, licenciado para tratar de assuntos particulares.

Nada melhor, neste momento, para lembrar que "palavras são palavras, nada mais do que palavras". O exemplo e as ações é o que, de fato, importam.

Enfim, Demóstenes volta a ocupar seu emprego como Procurador de Justiça no estado de Goiás, cargo que lhe renderá o salário de 24 mil mensais e o suplente, Wilder Morais já assumiu o cargo, ele que é, além de filiado ao DEM-GO, nada mais nada menos, do que ex-marido da mulher de Carlinhos Cachoeira, o pivô de todo este imbroglio!

Seria uma troca de 6 por meia dúzia?

*Já não sem tempo, o próprio Senado aprovou emenda à Constituição que termina com o voto secreto em processos de cassação. Faltando a aprovação da Câmara Federal, após o que deverá ser sancionada pela Presidência da República.