quarta-feira, abril 04, 2012

Páscoa

 
Semana Santa, Domingo de Páscoa.

Para a cristandade, uma das mais importantes comemorações. Igualmente para os judeus, que celebram o Pessach por oito dias. Para os cristãos o significado da Ressurreição (voltar à vida) de Cristo; para os judeus, a "passagem", a libertação e fuga do povo hebreu do domínio egípcio e o início de um novo tempo.

Essa introdução, por analogia, vai ao encontro de uma conversa que gostaria de ter com você. Com certeza, todos nós já percebemos que, a cada dia, temos a oportunidade de recomeçar, mas, por acomodação ou um enfoque errado, continuamos na mesmice. É aquele "cotidiano" que o Chico Buarque já colocou em letra e música, lembra?

Por que então não aproveitarmos o simbolismo inerente a estas comemorações? Reformular conceitos, refazer o que está travado, visualizar e percorrer novos caminhos.
Um detalhe fundamental é que essa nossa "ressurreição" ou "libertação", ao contrário dos eventos religiosos, não deve acontecer somente uma vez por ano, e sim ocorrer diariamente. Literalmente, a cada novo dia, uma nova vida.  
A Páscoa e o Pessach - Ressurreição e Libertação - um simbolismo que nos fará iniciar uma nova caminhada, um novo tempo para todos nós. 
Feliz Páscoa!









quarta-feira, março 28, 2012

MILLÔR


Ele mesmo se definia como "um escritor sem estilo". Modéstia? Humildade dos gênios! 
Sinceramente, é dificil para um simples leitor e admirador, escrever - uma arte que ele dominava - uma homenagem sobre uma personalidade genial como Millôr Fernandes.
Jornalista, escritor, tradutor, dramaturgo, desenhista, esse carioca nascido no Méier, fazia piada até com o nome que, na realidade, era Milton e se tornou Millôr por falhas ortográficas, e também com a idade: registrado em 27 de maio de 1924, afirmava ter nascido no dia 16 de agosto do ano anterior.
Melhor do que tudo é revisitar e postar alguns - como ele mesmo chamava - poeminhas.

"Nunca soube porque tanta gente teme o futuro.
Nunca vi o futuro matar ninguém,
Nunca vi o futuro roubar ninguém,
Nunca vi nada que tivesse acontecido no futuro.
Terrível é o passado, ou pior, o presente!"

Reflexão sobre a Reflexão.
"Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo."

    Poeminha com Saudade de Mim Mesmo.
"Quando eu morrer
Vão lamentar minha ausência
Bagatela
Pra compensar o presente
Em que ninguém dá por ela."
Millôr Fernandes (16/08/1924-27/03/2012)

sábado, março 03, 2012

E VOCÊ, CANTA NO BANHEIRO?

A cada dia, uma nova descoberta nesta nossa vida bem vivida. A mais recente, acredite, vem direto do banheiro, ensaboada e limpa.
Cantar no chuveiro é uma boa terapia, sabia? Cada um de nós, no seu quadrado ou retângulo do box, pode se achar um Sinatra, um Djavan, uma Elis, uma Sangalo ou um Luan Santana e até, quem sabe, um Michel Teló..."ah, se eu te pego"...
É o lugar perfeito para dar vazão aos nossos traumas, frustrações, sejam canoras ou não. Na verdade, não sei se há uma explicação "lógica" para isso, Quem sabe, talvez a água desperte o talento musical existente em todos nós.
Seria uma boa pergunta a ser feita à minha terapeuta, a Dra. Ana Lisa. Mas na falta de grana para pagar um psicanalista, você pode desde já iniciar sua "análise" no banheiro. O chuveiro vai "ouvir" nossas angústias, nossas dúvidas, sem reclamar do quão desafinados possamos ser.
Em resumo, não importa a nossa qualidade musical, muito menos as críticas dos ouvintes, afinal, é sempre bom lembrar do dito popular: "Quem canta seus males espanta".

sexta-feira, janeiro 27, 2012

E O RETIRO ENCALHOU.

Nossa conversa de hoje não tem nada sobre mazelas dos governantes, corrupção, catástrofes, mas até que poderia ser trágica, não fosse cômica.
A imprensa italiana divulgou que o vigário de uma paróquia da região da Lombardia, comunicou aos fiéis, do alto do púlpito, que estaria ausente por alguns dias, fazendo um retiro espiritual. "Ora pro nobis", pediram.
Só que o destino prega peças em todos, independente de usar batina ou não. Pois não é que, agora, a verdade foi revelada?
Através de mensagem em uma das redes sociais, a sobrinha do cura comunicou que todos estavam bem, após o ocorrido (!?)
Na realidade, ele, a mãe e a sobrinha estavam fazendo um cruzeiro no Costa Concórdia, o transatlântico que naufragou junto à ilha de Giglio, na Itália... "Esse padre é o máximo, diriam alguns". E todos concordamos, é o... Massimo Donghi, o jovem pároco italiano.
De antemão, não podemos crucificá-lo, mesmo porque nesses barcos de luxo, além de cassino, hidromassagem, academia, piscinas, finos restaurantes, geralmente também há uma capela, o que torna o sacerdote não de todo imperdoável...
Além do mais, eu, como um frustrado navegante, tenho o mar como um símbolo contemplativo, quase um retiro espiritual. Do alto do tombadilho, observando a calmaria ou o encapelar da água; até mesmo em um veleiro, com o vento inflando a bujarrona, ao observar aquela imensidão que tantos mistérios oculta, podemos sim literalmente viajar internamente, meditar, ir fundo em nosso eu e fazer emergir respostas.
Feliz ou infelizmente, assim não pensam os paroquianos de Besana in Brianza - a pequena localidade italiana - que agora cobram explicações do padre, sob pena de penitenciá-lo, quem sabe, enviando-o para um mosteiro no Tibet.

sábado, janeiro 21, 2012

O que será que têm em comum a dona Maria Verônica, aquela que foi grávida sem nunca ter sido; "il comandante" Schettino, aquele que "caiu no bote"; o capitão De Falco, da Guarda Costeira, aquele do: "Vada a bordo, cazzo!" E a Luíza, aquela que estava no Canadá?
Era a pergunta que eu me fazia antes de começar a escrever. Em comum, nada.
Na verdade, eles praticamente dominaram a mídia e as redes sociais durante estes últimos dias.
Dona Maria Verônica, no auge de um surto fantasioso exibia, com um também falso sorriso, a barriga surrealista, onde estariam acomodados os quadrigêmeos.
"Il comandante" cretino, digo, Schettino, enquanto o Costa Concórdia ia de encontro à costa e às pedras, jantava com a loira moldava, degustando uma garrafa de fino vinho tinto.
A par disso, a postura do capitão da Guarda Costeira, Gregório De Falco, considerado um herói na Itália, interpelando "il comandante" e chamando-o de volta à responsabilidade pela vida de quatro mil pessoas. "Bravo capitano, bravissimo!"
Pensando melhor, percebi que há algo em comum. Senão, vejamos: Schettino, tal e qual dona Maria Verônica, fantasiosamente julgava-se comandante, "o último a deixar o navio" mas, de repente, escorrega e cai no bote salva-vidas... E mais, tão surreal quanto aquela barriga, surge a Luíza. Ela que nada sabia, alheia a todo esse imbróglio, tornava-se ícone no twitter, facebook, rádio, tv, jornais, mesmo estando no Canadá.
Sinal dos tempos ou estaríamos com todos os problemas resolvidos?