
A NEUROLINGUÍSTICA NO DIVÃ.
Foi só chegar, me instalar no divã do consultório de minha terapeuta, e comentar:
- Pois é Dra. Ana Lisa, mais um ano, as promessas de melhorar nisso ou naquilo, mas na realidade, parece que tudo continua como dantes. Nada mudou, retornamos à tradicional mesmice.
- Antes de mais nada, bom dia seu Dedé! Passou bem as festas de fim de ano?
- Ah! Bom dia... desculpe... Fiquei tão empolgado em iniciar nossa conversa, que até esqueci de manter a regra básica da boa educação - e respondi: - Foi tudo ótimo.
Dei um tempo antes de voltar ao assunto, enquanto me ajeitava melhor, e emendei:
- Como estava dizendo, quando entramos em um novo ano, com ele vêm aquelas mesmas promessas, novos projetos, porém, de concreto, a rotina já está se instalando.
- O senhor está sendo muito radical - ela disse. - Um tanto quanto pessimista, mesmo porque ainda estamos na primeira semana de 2012 e qualquer mudança que aconteça, deverá passar, é evidente, pelo nosso desejo de modificar o quadro atual.
- Já sei, já sei - falei, me sentindo impaciente, prevendo o que ela iria dizer.
- Inconscientemente, as pessoas criam resistência às mudanças - ela argumentou. - A vontade é essencial, é dessa forma que as coisas acontecem.
A doutora falava terapeuticamente e não para aconselhar, mesmo porque, li em algum lugar, nós só aceitamos conselhos quando eles vêm de encontro ao que faríamos de qualquer jeito. Eu estava ali em busca de explicações; para aprender a controlar emoções e comportamentos, entender e colocar em prática o que fosse melhor.
- Não adianta apenas mudar a forma de pensar - ela prosseguiu. - Além disso, é preciso também modificar o vocabulário.
- Como assim? - perguntei, quase caindo do divã.
- Por exemplo, o senhor percebeu quantas vezes usou o "mas", o "nada", o "porém"? Os gurus da neurolinguística nos ensinam que há determinadas palavras que estão ligadas diretamente à reações negativas e, pior, são usadas automaticamente. Perceba: "mas", "nada", "todavia", "não", "porém", negam tudo o que de positivo teríamos dito.
- Confesso, doutora, que não tinha a mínima idéia - eu disse - já recuperado do susto e completei: - Ainda bem que esta nossa conversa aconteceu agora, assim terei tempo para tentar realizar o planejado para este ano...
- Seu Dedé, não seria melhor tirar o "tentar" da frase? - ela me interrompeu, quase sorrindo, ao se levantar da poltrona encerrando a consulta.
Na saída, ouvi mais uma recomendação:
- Por favor, endireite os ombros, levante a cabeça, a postura também é importante na terapia.
...
Pensamento positivo, maior flexibilidade, novas atitudes, mudança no padrão de comportamento, inclusive o verbal, são as indicações de minha terapeuta e, agora, quase especialista em neurolinguística, a Dra. Ana Lisa.
FELIZ 2012.