sexta-feira, janeiro 27, 2012

E O RETIRO ENCALHOU.

Nossa conversa de hoje não tem nada sobre mazelas dos governantes, corrupção, catástrofes, mas até que poderia ser trágica, não fosse cômica.
A imprensa italiana divulgou que o vigário de uma paróquia da região da Lombardia, comunicou aos fiéis, do alto do púlpito, que estaria ausente por alguns dias, fazendo um retiro espiritual. "Ora pro nobis", pediram.
Só que o destino prega peças em todos, independente de usar batina ou não. Pois não é que, agora, a verdade foi revelada?
Através de mensagem em uma das redes sociais, a sobrinha do cura comunicou que todos estavam bem, após o ocorrido (!?)
Na realidade, ele, a mãe e a sobrinha estavam fazendo um cruzeiro no Costa Concórdia, o transatlântico que naufragou junto à ilha de Giglio, na Itália... "Esse padre é o máximo, diriam alguns". E todos concordamos, é o... Massimo Donghi, o jovem pároco italiano.
De antemão, não podemos crucificá-lo, mesmo porque nesses barcos de luxo, além de cassino, hidromassagem, academia, piscinas, finos restaurantes, geralmente também há uma capela, o que torna o sacerdote não de todo imperdoável...
Além do mais, eu, como um frustrado navegante, tenho o mar como um símbolo contemplativo, quase um retiro espiritual. Do alto do tombadilho, observando a calmaria ou o encapelar da água; até mesmo em um veleiro, com o vento inflando a bujarrona, ao observar aquela imensidão que tantos mistérios oculta, podemos sim literalmente viajar internamente, meditar, ir fundo em nosso eu e fazer emergir respostas.
Feliz ou infelizmente, assim não pensam os paroquianos de Besana in Brianza - a pequena localidade italiana - que agora cobram explicações do padre, sob pena de penitenciá-lo, quem sabe, enviando-o para um mosteiro no Tibet.

sábado, janeiro 21, 2012

O que será que têm em comum a dona Maria Verônica, aquela que foi grávida sem nunca ter sido; "il comandante" Schettino, aquele que "caiu no bote"; o capitão De Falco, da Guarda Costeira, aquele do: "Vada a bordo, cazzo!" E a Luíza, aquela que estava no Canadá?
Era a pergunta que eu me fazia antes de começar a escrever. Em comum, nada.
Na verdade, eles praticamente dominaram a mídia e as redes sociais durante estes últimos dias.
Dona Maria Verônica, no auge de um surto fantasioso exibia, com um também falso sorriso, a barriga surrealista, onde estariam acomodados os quadrigêmeos.
"Il comandante" cretino, digo, Schettino, enquanto o Costa Concórdia ia de encontro à costa e às pedras, jantava com a loira moldava, degustando uma garrafa de fino vinho tinto.
A par disso, a postura do capitão da Guarda Costeira, Gregório De Falco, considerado um herói na Itália, interpelando "il comandante" e chamando-o de volta à responsabilidade pela vida de quatro mil pessoas. "Bravo capitano, bravissimo!"
Pensando melhor, percebi que há algo em comum. Senão, vejamos: Schettino, tal e qual dona Maria Verônica, fantasiosamente julgava-se comandante, "o último a deixar o navio" mas, de repente, escorrega e cai no bote salva-vidas... E mais, tão surreal quanto aquela barriga, surge a Luíza. Ela que nada sabia, alheia a todo esse imbróglio, tornava-se ícone no twitter, facebook, rádio, tv, jornais, mesmo estando no Canadá.
Sinal dos tempos ou estaríamos com todos os problemas resolvidos?

quinta-feira, janeiro 05, 2012

A NEUROLINGUÍSTICA NO DIVÃ.
Foi só chegar, me instalar no divã do consultório de minha terapeuta, e comentar:
- Pois é Dra. Ana Lisa, mais um ano, as promessas de melhorar nisso ou naquilo, mas na realidade, parece que tudo continua como dantes. Nada mudou, retornamos à tradicional mesmice.
- Antes de mais nada, bom dia seu Dedé! Passou bem as festas de fim de ano?
- Ah! Bom dia... desculpe... Fiquei tão empolgado em iniciar nossa conversa, que até esqueci de manter a regra básica da boa educação - e respondi: - Foi tudo ótimo.
Dei um tempo antes de voltar ao assunto, enquanto me ajeitava melhor, e emendei:
- Como estava dizendo, quando entramos em um novo ano, com ele vêm aquelas mesmas promessas, novos projetos, porém, de concreto, a rotina já está se instalando.
- O senhor está sendo muito radical - ela disse. - Um tanto quanto pessimista, mesmo porque ainda estamos na primeira semana de 2012 e qualquer mudança que aconteça, deverá passar, é evidente, pelo nosso desejo de modificar o quadro atual.
- Já sei, já sei - falei, me sentindo impaciente, prevendo o que ela iria dizer.
- Inconscientemente, as pessoas criam resistência às mudanças - ela argumentou. - A vontade é essencial, é dessa forma que as coisas acontecem.
A doutora falava terapeuticamente e não para aconselhar, mesmo porque, li em algum lugar, nós só aceitamos conselhos quando eles vêm de encontro ao que faríamos de qualquer jeito. Eu estava ali em busca de explicações; para aprender a controlar emoções e comportamentos, entender e colocar em prática o que fosse melhor.
- Não adianta apenas mudar a forma de pensar - ela prosseguiu. - Além disso, é preciso também modificar o vocabulário.
- Como assim? - perguntei, quase caindo do divã.
- Por exemplo, o senhor percebeu quantas vezes usou o "mas", o "nada", o "porém"? Os gurus da neurolinguística nos ensinam que há determinadas palavras que estão ligadas diretamente à reações negativas e, pior, são usadas automaticamente. Perceba: "mas", "nada", "todavia", "não", "porém", negam tudo o que de positivo teríamos dito.
- Confesso, doutora, que não tinha a mínima idéia - eu disse - já recuperado do susto e completei: - Ainda bem que esta nossa conversa aconteceu agora, assim terei tempo para tentar realizar o planejado para este ano...
- Seu Dedé, não seria melhor tirar o "tentar" da frase? - ela me interrompeu, quase sorrindo, ao se levantar da poltrona encerrando a consulta.
Na saída, ouvi mais uma recomendação:
- Por favor, endireite os ombros, levante a cabeça, a postura também é importante na terapia.
...
Pensamento positivo, maior flexibilidade, novas atitudes, mudança no padrão de comportamento, inclusive o verbal, são as indicações de minha terapeuta e, agora, quase especialista em neurolinguística, a Dra. Ana Lisa.
FELIZ 2012.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

O primeiro "mico" do ano: a implosão que não explodiu...
Pois é, tudo preparado, tudo planejado e o edifício Moinho, comprometido pelo incêndio que devastou a Favela do Moinho no dia 22 de dezembro, não veio abaixo. Dos seis andares, apenas dois foram ao chão. E olha que não foi por falta de dinamite não. Foram utilizados 800 quilos do explosivo. Agora, o trabalho ficará por conta das boas e velhas máquinas e marretas. Mas o melhor - ou pior - estava por vir. O prefeito Kassab, conhecido também por ter uma "explicação" para tudo, veio a público dizer que a ação foi um "sucesso", não houve falha e que o resultado, pífio, estava programado... Ora prefeito, essa foi para detonar nossa paciência.
A lamentar, a morte precoce do jornalista, escritor (17 livros) e tradutor Daniel Piza. Inteligência, competência, cultura, faziam dele um profissional completo. Um talento a ser lembrado. O último post de Daniel, publicado em seu blog, na quarta-feira dia 28: "Parada de fim de ano. Volto no dia 11. Feliz 2012 para todos nós". (28/03/70 - 30/12/11)
E mais um triste registro.
No último dia de 2011, a perda de um amigo e companheiro de tantos anos na extinta Rádio A Tribuna AM, na minha Santos: Alair de Oliveira. Àquela época, sem computador, o discotecário (hoje programador musical) teria que saber tudo sobre todos os lançamentos musicais e o Alair tinha a necessária sensibilidade para escolher o som que melhor se adaptasse a um determinado programa. Com certeza, o plano espiritual terá, a partir de agora, uma trilha musical de melhor qualidade...

segunda-feira, dezembro 19, 2011

DOS FINS, DOS MEIOS E DO MELHOR DO MUNDO
"Os fins justificam os meios". Sendo mal interpretado ou não, o dito do filósofo italiano Maquiavel tornou-se o apanágio de muitos políticos, principalmente daqueles sem escrúpulos. Mr. Bush, conhecido também como Mr. War, pode ser considerado um deles. Em 2003, o então presidente norte-americano, afirmou que o governo do Iraque possuía armas químicas e biológicas, um risco para os USA e o mundo. Jamais foram encontradas.
Em seguida, denunciou que o ditador Saddam Hussein seria um aliado e protetor de Bin Laden e da rede terrorista Al-Qaeda. Da mesma forma, nenhuma prova.
Em março de 2003, apoiado por tropas britânicas, italianas, espanholas e australianas, os Estados Unidos deram início à invasão do Iraque. Para encurtar a conversa, após quase nove anos e ao custo da morte de 4.484 militares americanos, 318 aliados, cerca de 116 mil civis iraquianos e mais de 32 mil feridos, com um "investimento" de quase 2 trilhões de dólares, o presidente Barak Obama, já visando à reeleição (um fim, digamos, mais "nobre" do que o de seu antecessor), anuncia a retirada das tropas e dá por encerrada a guerra. Ao transpor a fronteira, o último comboio postado além de Bagdá deixa como legado, segundo os americanos, um modelo de democracia para toda a região", enquanto os iraquianos constatam que a situação de insegurança, fragilidade política e econômica, em nada mudou.
Os fins justificaram os meios? Talvez sim, para as chamadas mentes "maquiavélicas".
E quais seriam os meios para um time conquistar o título mundial? Evidente, jogando futebol. Mas é, de fato, futebol o que se pratica por aqui?
Neymar sentenciou: "Foi uma aula de futebol do melhor time do mundo". E podemos ir além: deste e também do outro mundo. O Barcelona, sem dúvida, é uma equipe extra-terrestre.
Real Madrid, Manchester United, Bayer, Milan.... já passaram por isso, quer dizer, imaginaram que poderiam vencer, até começaram na frente do placar, mas acabaram se curvando à majestade do Barça. "Então, eles são imbatíveis?" Não, a máquina catalã, às vezes, não engrena. Este ano foram cinco derrotas e doze empates, o que, sem dúvida, não invalida o título de melhor do mundo, mas também é uma prova de que a perfeição não existe, nem "em outro mundo".
A diferença entre o futebol que o time catalão apresenta e o nosso é imensurável, a distância é alguma coisa abissal (já falando em mar, peixe, entenderam?). E após o jogo em Yokohama, ficaram perguntas que os "mais versados" em futebol devem responder: O Santos não jogou nada porque ficou reverenciando o adversário? O Santos exagerou no fair-play? O Santos entrou em campo, assustado?
Para os santistas, além do vice-campeonato, uma constatação: melhor ser derrotado, na final do mundial inter-clubes no Japão, pelo Barcelona de Messi, Iniesta, Xavi, Guardiola... do que ser eliminado, na primeira fase da Libertadores em Ibagué (Colômbia), pelo Tolima de... de... ... de quem mesmo?