sábado, julho 30, 2011


DO APAGÃO À ARTROSE DA TETÉIA

Foto: Internet

Semana terminou e vai deixar saudade, ou não. Aqui em São Paulo, com os já frequentes apagões, Eletropaulo e CTEEP disputam a liderança, mas o nome não importa já que a irresponsabilidade é a mesma. 


No norte da América, "south of the border", a dívida do Tio Sam divide democratas e republicanos. No nosso mercado financeiro, o dólar continua em queda livre e a classe operária vai às viagens e às compras. Datena faz bate e volta, Barra Funda/Morumbi, em menos de dois meses. No palco da Vila mais famosa do mundo, Neymar e Ronaldinho Gaúcho comandaram o espetáculo da arte também conhecida como futebol. Já na arte musical, infelizmente a droga deu o tom mais uma vez. Um tom menor chamado praga que desafina e mata. Foi-se Amy Winehouse.
Foto: Internet

O "Chaves", não o da Venezuela, o mexicano Roberto Bolaños, aos 82 anos, sem querer querendo alcança a marca de 1 milhão de seguidores no Twitter, em apenas 2 meses.


No RioZoo, dois cangurus doados recentemente, foram batizados com os nomes Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Com certeza, agora os bichinhos deverão pular com muito mais alegria.
Foto: divulgação Zoo Rio
















 Foto: Paulo Toledo Piza (Arquivo G1) 
Foto: Internet
A tristeza desta semana "animal" fica por conta da morte do leão Ariel, nascido em cativeiro, vivendo confinado sem poder se movimentar e, ainda, a doença da Tetéia, hipopótamo fêmea do Zoo de SP, com idade estimada de 53 anos. Com artrose, tem dificuldade no seu já compassado caminhar.         



Encerrando esta nossa conversa, uma dica luminosa para o mês que está iniciando: não deixe o apagão desligar sua energia e, mesmo devagar e sempre, que sua caminhada não seja às escuras. Tá bom assim?

sábado, maio 07, 2011

 ÀS MÃES, COM CARINHO

  Devo confessar: amei e continuo amando duas mulheres. O amor inato, incondicional, de entrega total. Mulheres que fizeram com que eu aprendesse as mais lindas lições na vida. Mulheres que me ensinaram e, melhor, exemplificaram. Duas Helenas. Uma me deu à luz, a outra ajudou a me criar. Sei que não sou o único, mas entendo ser um privilegiado por ter tido duas mães.
   Explico. Como minha mãe sempre trabalhou, ela nos deixava - a mim e a meu irmão - aos cuidados de minha avó (por sinal, mãe dela). Era essa "mãe" que nos levava à escola, às aulas de música, ao cinema, às rádios, aos desfiles e bailes de carnaval e até aos jogos do Santos na Vila Belmiro! Meu pai e minha mãe chegavam  em casa ao final da tarde. Ela cuidava dos afazeres domésticos, nos repreendia - quando necessário, planejava o dia seguinte e dava o exemplo de vontade aliada ao trabalho.
   De minha avó Helena, ficou mais do que um exemplo de vida, mostrou que o amor não tem limites; de minha mãe Helena, a herança de que a felicidade não está nos bens materiais e sim em uma vida vivida com honestidade, trabalho e dignidade, por sinal, o mesmo legado deixado por meu pai. São lembranças guardadas eternamente no mesmo lugar onde o amor está, no coração.
  Por falar em recordações nesta data, lembro que em uma das paredes da sala, havia um quadrinho, presente de meu tio à minha avó (mãe dele), com dizeres muito simples, singelos: "Mãe sempre querida, seja feliz na Vida". Da mesma forma, simples, singela e sincera, registro meus cumprimentos a todas as mães, com o desejo de felicidades, sempre.

Registro.
A comemoração dos dias das mães remonta à Mitologia. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses. No início do século XVII, a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas.
Ana Jarvis, uma americana do estado da Virgínia ocidental, iniciou a companha para instituir o Dia das Mães. Em 1914, o presidente norte-americano Woodrow Wilson unificou a celebração, sempre no segundo domingo de maio. Em Portugal e Espanha é comemorado no primeiro domingo.
No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado pelo presidente Getúlio Vargas em 1932.

terça-feira, novembro 23, 2010

A felicidade no divã da Dra. Ana Lisa.
      
Quebrando o silêncio que já se fazia presente há alguns segundos na sala, comentei com minha psicanalista:
- Dizem os mais velhos, que quanto mais se vive mais se aprende e essa é, por assim dizer, uma verdade verdadeira, não doutora Ana Lisa?
 - É mais ou menos isso, como vivendo e aprendendo a jogar- ela disse -mas vamos direto ao ponto seu Dedé, qual é o problema agora?
- Não sei se é problema, mas digo isso porque quando achamos que nada de novo poderá acontecer...
- E qual é a novidade? – ela perguntou.
- A senhora deve estar sabendo da última entre os nossos congressistas em Brasília, não? Estão querendo que a felicidade seja um direito constitucional! Será que eles não têm nada mais importante para tratar?
- Calma – e é claro que eu estava ali exatamente para me acalmar – e ela insistiu - Relaxe. Vamos conversar melhor sobre isso.
- Ah, e tem mais... um dos argumentos que estão utilizando, é afirmar que muitos países já têm a felicidade como um direito civil. Ora doutora, nem sempre o que é bom para os outros, será bom para nós!
- Concordo, em parte. – E antes que eu pudesse argumentar novamente, ela prosseguiu:
- Talvez o senhor não tenha entendido bem, mas na verdade, foi apresentada uma emenda à Constituição, onde é dito que saúde, educação, trabalho e outros direitos sociais são essenciais à busca da felicidade. É isso, somente isso.
Enquanto a doutora explicava, eu pensava em como ela era bem informada, porque, cá entre nós, esse assunto  nada tinha a ver com a psicanálise. E não resisti:
- A senhora me surpreende doutora!
- Como assim? – perguntou, curiosa.
- Surpreende pelo seu conhecimento sobre os mais diversos assuntos.
- Obrigada, seu Dedé. Mas é preciso estar – como dizem atualmente – "antenada" em diferentes áreas, para poder dialogar e dar um suporte aos pacientes.
- Entendo... e já compreendo melhor essa proposta, mesmo porque – e aí também fui didático - sendo um sentimento subjetivo, cada um de nós tem uma forma própria de explicar essa tal felicidade.
- Verdade. Agora foi o senhor que me surpreendeu – disse ela, ao mesmo tempo em que se levantava da poltrona, num claro sinal de que nossa conversa estava terminada. - Até a próxima seu Dedé.
- Obrigado.

Ao sair, dei uma olhada para o céu. Era uma tarde de novembro, sem chuva. Brancas nuvens em forma disforme se espalhavam preguiçosamente sobre o céu azul. Leve brisa soprava por cima das copas das árvores provocando tremores nas folhas, talvez receosas de caírem ao chão. Por outras vezes, o branco dos cirros desaparecia como a brincar de esconder, deixando à mostra somente o azul infinito, indecifrável, misterioso. Um quadro que a natureza nos pinta e que, imperceptivelmente, emoldura nossos dias.
Isso, para mim, representa felicidade.
E para você?




terça-feira, novembro 09, 2010

DE PEDRAS E CAMINHOS.

-Dra. Ana Lisa, prometo, só voltaremos a falar de política daqui a quatro anos, ou melhor, dois e isto se o tema estiver me incomodando.
-Ah!Sim, acredito seu Dedé mas, como sempre digo, o consultório da psicanalista comporta todos os assuntos, desde que eles estejam perturbando o paciente.
Era a primeira visita à doutora após as eleições. Já havia estado por lá pra pegar uma receita que pedi por telefone e que, gentilmente, ela deixou com a recepcionista.
Já devidamente instalado no divã, prossegui:
-Obrigado por ter deixado a receita pronta. Não sei se a senhora ficou sabendo, mas disseram que o estoque de antidepressivos nas farmácias estava se esgotando depois das eleições... - Pensei que ela fosse se fazer de desentendida, mas me enganei:
-A bem da verdade - ela disse, com firmeza -, o quadro depressivo comporta as duas situações seu Dedé, a euforia e a tristeza, elas ocorrem gradualmente, são as conhecidas oscilações de humor. É um transtorno não muito comum, mas acontece. Portanto, o medicamento poderá ser usado tanto para uma situação como para a outra, ou seja, para os que vibraram com a vitória ou para quem ficou decepcionado com a derrota. - Dizendo isso, ela cortou qualquer outra insinuação a respeito e mudei radicalmente o foco da conversa.
-Li, mas não lembro onde, uma frase que me deixou naquele estado de "penso, logo existo". Dizia que nós seguimos pelos caminhos que a vida nos traçou. - Percebi que, antes de comentar, ela se acomodou melhor na cadeira atrás de mim.
-E o que o senhor acha disso?
-A princípio não concordo, porque entendo que cada um de nós deve fazer o seu caminho, deve tentar seguir de acordo com sua vontade.
-Ah, mas não é bem assim seu Dedé.
-Como não?  - Perguntei surpreso.
-A bem da verdade, o caminho pode até já existir, mas por circunstâncias, contrárias, são tomadas novas direções, novos atalhos são criados.
-Mas então não é certo que aquilo que queremos conseguimos?
-É quase isso. Como já disse um genial poeta e escritor, há pedras no caminho e essas pedras, dizia ele, vamos recolhendo, juntando e com elas fazendo um castelo. Mas este castelo é simbólico. É um castelo feito com as pedras dos problemas, dos tropeços, do imponderável. Essas dificuldades, quer dizer essas pedras, deverão ser recolhidas, lapidadas e utilizadas na construção deste castelo imaginário, uma bela obra talvez, mas que evidentemente, nunca servirá de moradia.
Essas palavras da doutora fizeram com que, literalmente, eu colocasse os pés no chão - saindo do consultório - mas sinalizaram também o marco de uma nova caminhada.
-Telefono mais tarde marcando uma nova consulta. - disse na saída. E quando menos esperava, ouvi: 
-Só por curiosidade, o senhor fez uso do medicamento por qual das razões citadas no início de nossa conversa, euforia ou tristeza?
-Ah, essa resposta, infelizmente, nem a senhora nem os leitores terão. Afinal, o voto além de ainda ser obrigatório também é secreto.




"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... (Fernando Pessoa).

domingo, outubro 24, 2010

  A TERAPIA DA BOLINHA.


- Mesmo que o senhor não concorde, o jogo democrático está sujeito a esse tipo de ocorrência.
- Doutora, eu sei disso, mas também entendo que não era preciso chegar a esse ponto. A senhora não acha que agindo assim, os candidatos fragilizam a democracia?
-Seu Dedé, a minha opinião, aqui no consultório, não vem ao caso. Nossa conversa deve se manter em nível estritamente profissional.
Pois é, praticamente há uma semana para a votação, fui procurar a Dra. Ana Lisa, minha psicoterapeuta, em busca de algum equilíbrio para cumprir meu dever cívico. Em tempos de bolinhas de papel, bexigas d'água, "do bem" e  "do mal", enfim, de vale tudo na campanha eleitoral, é preciso ter um respaldo psicológico.  
- Certo - inspirei fundo e prossegui - Fiquei um tanto quanto desiludido durante esse período eleitoral. Se, de perto, ainda dá pra ver alguma luz no fim do túnel , de longe, minha visão da política brasileira está  igual à minha miopia, ou seja, não vejo nada, é uma desesperança total.
- Talvez exista aí algum outro componente que provoque essa angústia, esse estado quase depressivo seu Dedé e isso é preocupante porque uma recidiva pode trazer sérias consequências.
- Não doutora Ana Lisa, até onde eu sei está tudo bem no profissional e pessoal.
- Aí é que está o problema. O importante é o que está além do que as pessoas sabem... O imperceptível, na terapia, é  fundamental. Aquilo que está por trás das aparências, no inconsciente.
- Pelo jeito, minhas visitas à senhora vão se tornar mais constantes, é isso?
- Será melhor -ela disse. Concluí, então que estou mesmo fora do chamado ponto de equilíbrio - e completei:
- Bem, então vamos marcar para depois da eleição do segundo turno. Talvez já esteja  me sentindo melhor, mesmo porque  as bolinhas de papel, as bexigas d'água, os "do bem" e "do mal" estarão esquecidos e começarão os preparativos para o Natal e Carnaval... E, cá entre nós, bolinha de papel inesquecível só em música.
- Não entendi - disse ela encerrando nossa consulta.
Levantei do divã, cantarolando:

                                           "Só tenho medo da falseta,
              Mas adoro a Julieta como adoro 
a Papai do Céu
          Quero seu amor minha santinha
                Mas só não quero que me faça de bolinha
de papel... "


"Bolinha de Papel", composição de Geraldo Pereira, em gravação de João Gilberto.
http://www.youtube.com/watch?v=ERIOaHSmO4c