domingo, outubro 10, 2010

A VOZ DA ALMA.


Em uma dessas minhas conversas, falei sobre aquela voz que só nós ouvimos. Aquela voz, sem som, que fala direto ao nosso interior. Muito já se falou sobre ela - a intuição - a quem podemos chamar de "o som do silêncio". Hoje, resolvi escrever alguma coisa sobre um outro tipo de voz, uma voz que todos ouvem. É voz que fala direto ao coração. Ela embala, acalenta, mas também machuca, fere nossa sensibilidade. Pode nos alegrar ou entristecer. E essa voz tem um timbre suave mas pode também ter um tom acima ou abaixo. Uma voz que tem uma expressão maior porque, e que me perdoem os que não concordarem, ela emana direto da espiritualidade, transcende o sentido físico, tanto é que se há uma expressão artística de agrado geral, sem dúvida, é a música. E o mais extraordinário é que, através do que chamam "som do silêncio", consegui constatar que a Música é a Voz da Alma. Concorda?

terça-feira, setembro 07, 2010

Pensava em algumas palavras para postar neste espaço e aí redescobri em Mário Quintana, o que, literalmente, preencheria e representa tudo que eu poderia escrever.


"Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida". 
                        
                  "O luar é a luz do sol que está sonhando".
DE LA COSTE M-T crayon "Le menhir au clair de lune"

quinta-feira, setembro 02, 2010



Saudade: Lourival Pacheco, falecido no dia 1º de setembro, ícone da Rádio Bandeirantes e do rádio brasileiro. Por 40 anos integrou a bancada do Jornal "Primeira Hora".

 Em dois flagrantes (de vermelho) durante a comemoração do aniversário de Salomão Ésper.
     Ao lado de Walker Blaz, Jorge Helal, do saudoso  Muíbo César Cury, Fernando Solera e Ferreira Martins.


Um registro indispensável.
Lourival Pacheco foi um dos responsáveis -talvez o principal- por minha entrada na Rádio Bandeirantes. Explico: em 2003, infelizmente, o Lourival por motivos de saúde precisou se afastar do microfone e deixou a RB.
Dessa forma, surgiu a oportunidade para que eu ocupasse o lugar que, durante 40 anos, foi dele. Uma responsabilidade enorme; uma satisfação advinda de uma dolorosa e inesperada decisão.
Obrigado Lourival Pacheco.






quarta-feira, agosto 25, 2010

              NARCISO ACHA FEIO O QUE É ESPELHO? 

- Bom dia doutora! Tudo bem?  - lá estava eu no consultório de minha terapeuta para mais uma conversa.
- Bom dia seu Dedé, graças a Deus tudo bem e o senhor?
- Eu estou ótimo, também graças a Deus e às nossas sessões de terapia e mais ainda agora.
- Como assim?
- Nesta época, eleições à vista, o espírito cívico e patriótico emerge das pessoas, algumas então se destacam, elas querem colaborar.
- É mesmo?
- São esses candidatos a deputado estadual, federal, ao Senado. Cantores ou ex-cantores, humoristas, estilistas, esportistas, enfim, gente - como se diz hoje - de todas as tribos, com o patriotismo aguçado, prontos a servir ao país, criando projetos, leis em benefício do povo...
- Seu Dedé, estou percebendo certo cinismo, um tom de sarcasmo em suas palavras... mas não é bem assim. Evidente, há muitos querendo aparecer, entendem a democracia como um motivo para piada, gozação, mas há outros com vontade mesmo de reverter esse quadro que aí está.
- Eu acho que a maioria deles confunde urna eletrônica com urna histriônica...
- Pode até ser, já que, psicologicamente falando, o histrionismo é um distúrbio próprio de pessoas que querem chamar a atenção, exageradas...
- Ah! Doutora Ana Lisa, a senhora é mesmo uma incorrigível otimista. Aliás, faz parte de sua profissão, mas não podemos levar a sério esse tipo de propaganda eleitoral, mesmo porque, gramaticalmente, essa palavra é derivada do Latim, significando palhaço, comediante, charlatão...
- É um direito seu não aceitar, como também é um direito deles assim se expressar, faz parte da democracia, ou melhor, faz parte da nossa democracia porque o comportamento dessas pessoas traduz - infelizmente- a nossa cultura, é o reflexo do povo brasileiro.
Essas palavras de minha terapeuta não apenas encerraram nossa conversa de hoje como também revelaram o quadro político que está à nossa frente e mais, deixaram a dúvida (contrariando Caetano): será que Narciso acha feio o que é espelho?

sábado, agosto 07, 2010

          ENXERGANDO ATRAVÉS DO OLHAR DA NATUREZA

   Em um dia como estes, em que a natureza parece ter feito uma faxina neste "céu que nos protege", removendo as nuvens e deixando só o sol e sua luz dourada banhando a Terra, estava eu sobre as pedras do emissário submarino na praia do José Menino na minha Santos, meditando sobre a profundidade da camada pré-sal... Do mar, vinha aquela brisa agitando guarda-sóis, coqueiros, palmeiras e pensamentos. O tipo e a direção da corrente de ar não consigo definir, seria uma missão para meu amigo Viviani, aficcionado do vôo livre e exímio piloto de paraglider...
   De repente, talvez como efeito do vento, minha reflexão mudou de direção, voltou-se para "os corações insensíveis", ou seja, para aquilo que imaginamos ser a falta de sensibilidade para apreciar as coisas simples da vida, melhor dizendo, para enxergar a natureza que está à nossa frente: a imensidão e os mistérios que o mar oculta; o céu totalmente azul ou pincelado de branco; o nascer e o pôr do sol; o prateado da lua iluminando nossos caminhos cá na Terra; os ipês com suas flores roxas, amarelas ou brancas, acarpetando as pistas do parque Ibirapuera; o Chorão, com seus galhos em um protesto mudo, tentando mergulhar na água poluída do lago.
Na realidade, "os corações insensíveis" não existem. O que acontece é que normalmente não enxergamos essas belezas.Nossas obrigações materiais, como aluguel, prestações, financiamento, o sobe e desce da Bolsa... turvam nossa visão, não nos deixam ver o que está mais à vista, impedem que a sensibilidade aflore e faça parte de nosso cotidiano. "O coração aberto para as belezas da natureza não fecha minhas contas no fim do mês". Verdade. Mas também é verdadeiro o fato de que, com uma maior integração, enxergaríamos "este mundo que nos rodeia" de uma forma otimista e confiante, certos de que nossos compromissos serão resolvidos a seu tempo e da melhor maneira possível. Vamos tentar? 


Escrito em um lindo domingo de agosto, dia 08, dia dos Pais.