sexta-feira, abril 22, 2016

O RÁDIO EM MINHA VIDA


Tudo começou em 1963.
Familiares e amigos comentavam que eu tinha uma boa voz para trabalhar em rádio e, tomando coragem, fui até a Universal na avenida Ana Costa, 254.
Lá, me apresentei ao proprietário da emissora, o sr. Salim Mansur, irmão de Paulo Mansur, dono da rádio Cultura Santos/São Vicente. Falei de minha vontade e ele pediu para que eu lesse algumas notícias do jornal que estava sobre a mesa. Li e, para minha alegria, fui aprovado. Assim começava minha carreira profissional.
Mas, na verdade, o amor, a paixão pelo rádio, teve início bem antes. Ainda menino, na rua Borges, 126, o som que vinha daquela “caixa de madeira”, prendia minha atenção: minha avó Helena, ficava ao lado ouvindo a Rádio Atlântica, PRG-5, “A Voz do Mar”.
Programas de auditório, esportes, novelas, Teatrinho de Brinquedo, Na Onda do Riso, Panorama Esportivo, Um Romance para Você. Desfilavam nomes como Marcelino Santos, José Gomes, Dorival Ribeiro, Correia Jr., Ivone Cavalcanti, Vera Lúcia, Áurea Domingues, Ciza e Norma Árias, Vieira da Cunha, Rosinha Mastrângelo, Querubim Correa, Ernani Franco, Paulo César, Gentil e Álvaro Castro, Carlos Calmon.
O rádio santista sempre foi pródigo em valores artísticos: locutores, rádio-atores, rádio-atrizes, cantores, etc. Alguns desses nomes, tive o privilégio de conhecer anos mais tarde, entre eles, Ernani Franco, Marcelino Santos, Correia Jr., Gentil Castro, Dorival Ribeiro, Marcos Machado, Carlos Calmon, Wilson Rodrigues, Rubens Quadros, Walter Dias, Pedro de Paulo Neto, José Liberato, Orlando José, J. Lacerda, Aníbal Gomes, Armando Gomes, para citar alguns.
Operadores de som, Édson Luiz, Joel de Azevedo, Oswaldinho de Oliveira, Laurentino e Lauro Vicente, José Silva, Leopoldo Leite, e tantos outros companheiros cujos nomes, o já empoeirado painel de minha memória, não registra. Bem, voltando à trajetória profissional. Depois de algum tempo na Universal, fui à procura de novos desafios na Rádio Atlântica, a PRG-5, na Praça Correia de Melo, número 1, aquela mesma que ouvia quando era menino, onde também fui aprovado pelo diretor e grande locutor esportivo (além de fanático torcedor do Santos F.C.), Ernani Franco. Depois, a emissora mudou para o prédio da rua Frei Gaspar, 100. No final de 1964, a Rádio A Tribuna AM, uma emissora padrão nos moldes da Eldorado AM de SP, onde não havia jingles -o próprio locutor lia os comerciais- estava à procura de novos “talentos” e fez um concurso. Fui aprovado junto com o amigo Clóvis Valverde e lá consegui meu primeiro registro profissional, era o dia primeiro de fevereiro de 1965. Convivi com nomes como Reynaldo Tavares (gerente), Aurélio Pinto, Ricardo Kosei, Edmundo Aniceto, Luiz Carlos Braga, José Cássio Miller, Carmo Eduardo Bosco Palmieri, Clóvis Valverde, Fernando Fortes, José Maria Pizarro, José Sienkievicz e, mais tarde, Flávio Guimarães, Alfredo Alves, Hudson Marcondes e outros companheiros. Posteriormente, o grupo do jornal A Tribuna adquiriu a Rádio Atlântica e durante certo período prestei serviço às duas emissoras, no prédio da rua João Pessoa, 129, 9° andar. Lá fiquei até maio de 1977, já era Dedé Gomes, quando, então, o amigo Flávio Guimarães, talento radiofônico de Sorocaba que foi meu companheiro de trabalho na Atlântica e A Tribuna, me avisou sobre uma possível vaga na Excelsior, a Máquina do Som, em São Paulo.
Ele havia sido aprovado, com méritos, em testes na Excelsior e na Bandeirantes e optou pela Bandeirantes, abrindo a oportunidade para que eu pudesse me apresentar ao Antônio Celso, o “Leão”, gerente de programação da Máquina, em busca de “um lugar ao sol”. E subi a serra, buzão, chegando à rua das Palmeiras, 315. O mestre Antônio Celso preferia que eu usasse meu nome próprio e assim foi feito. Era DJ Deoclécio e/ou Dedé da Máquina. Até 1982 trabalhei ao lado de Juca Amaral, Hailton Silva (Tostão), Henrique Régis, Júlio César Aredes, Wellinton de Oliveira, Sérgio Boquembuzo (Sérgio Bocca), César Foffá, Flávio Guimarães, Jorge Chamberland, César Rosa.
E lá fiquei até 1982 quando, já na Excelsior FM, fui convidado para integrar a nova equipe da Eldorado FM, passando, em seguida, para a Eldorado AM, com o privilégio de trabalhar ao lado de José de Ávila Barroso, Honoré Rodrigues, José Carlos Scaff e mais companheiros. Em 1978, iniciei também na TV Globo de SP, ainda na Praça Marechal Deodoro, 340, como locutor de cabine e, eventualmente, de chamadas da programação, onde permaneci por 16 anos até 1994, quando a transmissão era feita da Avenida Paulista, 900.
Na sequência de meu trabalho em São Paulo, tive o prazer de prestar serviço às rádios Cultura AM e FM, América AM, Rede L&C, USP FM, Manchete FM, Trianon AM, Capital AM. Ainda na mídia TV, prestei serviço ao Canal Rural, TV Cultura e TV Record.

Graças a Deus, 52 anos de profissão, 50 de “carteira assinada”, completo doze anos de trabalho na Rádio Bandeirantes, neste 2015. Companheirismo, amizades, alegrias, decepções, algumas desavenças, afinal, ninguém é perfeito... , sentimentos inerentes ao trabalho e que fiz questão de compartilhar, como forma de homenagear a todos que fizeram e fazem parte de minha vida profissional. 

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