Nossa conversa de hoje não tem nada sobre mazelas dos governantes, corrupção, catástrofes, mas até que poderia ser trágica, não fosse cômica.
A imprensa italiana divulgou que o vigário de uma paróquia da região da Lombardia, comunicou aos fiéis, do alto do púlpito, que estaria ausente por alguns dias, fazendo um retiro espiritual. "Ora pro nobis", pediram.
Só que o destino prega peças em todos, independente de usar batina ou não. Pois não é que, agora, a verdade foi revelada?
Através de mensagem em uma das redes sociais, a sobrinha do cura comunicou que todos estavam bem, após o ocorrido (!?)
Na realidade, ele, a mãe e a sobrinha estavam fazendo um cruzeiro no Costa Concórdia, o transatlântico que naufragou junto à ilha de Giglio, na Itália... "Esse padre é o máximo, diriam alguns". E todos concordamos, é o... Massimo Donghi, o jovem pároco italiano.
De antemão, não podemos crucificá-lo, mesmo porque nesses barcos de luxo, além de cassino, hidromassagem, academia, piscinas, finos restaurantes, geralmente também há uma capela, o que torna o sacerdote não de todo imperdoável...
Além do mais, eu, como um frustrado navegante, tenho o mar como um símbolo contemplativo, quase um retiro espiritual. Do alto do tombadilho, observando a calmaria ou o encapelar da água; até mesmo em um veleiro, com o vento inflando a bujarrona, ao observar aquela imensidão que tantos mistérios oculta, podemos sim literalmente viajar internamente, meditar, ir fundo em nosso eu e fazer emergir respostas.
Feliz ou infelizmente, assim não pensam os paroquianos de Besana in Brianza - a pequena localidade italiana - que agora cobram explicações do padre, sob pena de penitenciá-lo, quem sabe, enviando-o para um mosteiro no Tibet.




