A felicidade no divã da Dra. Ana Lisa.
Quebrando o silêncio que já se fazia presente há alguns segundos na sala, comentei com minha psicanalista:
- Dizem os mais velhos, que quanto mais se vive mais se aprende e essa é, por assim dizer, uma verdade verdadeira, não doutora Ana Lisa?
- É mais ou menos isso, como vivendo e aprendendo a jogar- ela disse -mas vamos direto ao ponto seu Dedé, qual é o problema agora?
- Não sei se é problema, mas digo isso porque quando achamos que nada de novo poderá acontecer...
- E qual é a novidade? – ela perguntou.
- A senhora deve estar sabendo da última entre os nossos congressistas em Brasília, não? Estão querendo que a felicidade seja um direito constitucional! Será que eles não têm nada mais importante para tratar?
- Calma – e é claro que eu estava ali exatamente para me acalmar – e ela insistiu - Relaxe. Vamos conversar melhor sobre isso.
- Ah, e tem mais... um dos argumentos que estão utilizando, é afirmar que muitos países já têm a felicidade como um direito civil. Ora doutora, nem sempre o que é bom para os outros, será bom para nós!
- Concordo, em parte. – E antes que eu pudesse argumentar novamente, ela prosseguiu:
- Talvez o senhor não tenha entendido bem, mas na verdade, foi apresentada uma emenda à Constituição, onde é dito que saúde, educação, trabalho e outros direitos sociais são essenciais à busca da felicidade. É isso, somente isso.
Enquanto a doutora explicava, eu pensava em como ela era bem informada, porque, cá entre nós, esse assunto nada tinha a ver com a psicanálise. E não resisti:
- A senhora me surpreende doutora!
- Como assim? – perguntou, curiosa.
- Surpreende pelo seu conhecimento sobre os mais diversos assuntos.
- Obrigada, seu Dedé. Mas é preciso estar – como dizem atualmente – "antenada" em diferentes áreas, para poder dialogar e dar um suporte aos pacientes.
- Entendo... e já compreendo melhor essa proposta, mesmo porque – e aí também fui didático - sendo um sentimento subjetivo, cada um de nós tem uma forma própria de explicar essa tal felicidade.
- Verdade. Agora foi o senhor que me surpreendeu – disse ela, ao mesmo tempo em que se levantava da poltrona, num claro sinal de que nossa conversa estava terminada. - Até a próxima seu Dedé.
- Obrigado.
- Dizem os mais velhos, que quanto mais se vive mais se aprende e essa é, por assim dizer, uma verdade verdadeira, não doutora Ana Lisa?
- É mais ou menos isso, como vivendo e aprendendo a jogar- ela disse -mas vamos direto ao ponto seu Dedé, qual é o problema agora?
- Não sei se é problema, mas digo isso porque quando achamos que nada de novo poderá acontecer...
- E qual é a novidade? – ela perguntou.
- A senhora deve estar sabendo da última entre os nossos congressistas em Brasília, não? Estão querendo que a felicidade seja um direito constitucional! Será que eles não têm nada mais importante para tratar?
- Calma – e é claro que eu estava ali exatamente para me acalmar – e ela insistiu - Relaxe. Vamos conversar melhor sobre isso.
- Ah, e tem mais... um dos argumentos que estão utilizando, é afirmar que muitos países já têm a felicidade como um direito civil. Ora doutora, nem sempre o que é bom para os outros, será bom para nós!
- Concordo, em parte. – E antes que eu pudesse argumentar novamente, ela prosseguiu:
- Talvez o senhor não tenha entendido bem, mas na verdade, foi apresentada uma emenda à Constituição, onde é dito que saúde, educação, trabalho e outros direitos sociais são essenciais à busca da felicidade. É isso, somente isso.
Enquanto a doutora explicava, eu pensava em como ela era bem informada, porque, cá entre nós, esse assunto nada tinha a ver com a psicanálise. E não resisti:
- A senhora me surpreende doutora!
- Como assim? – perguntou, curiosa.
- Surpreende pelo seu conhecimento sobre os mais diversos assuntos.
- Obrigada, seu Dedé. Mas é preciso estar – como dizem atualmente – "antenada" em diferentes áreas, para poder dialogar e dar um suporte aos pacientes.
- Entendo... e já compreendo melhor essa proposta, mesmo porque – e aí também fui didático - sendo um sentimento subjetivo, cada um de nós tem uma forma própria de explicar essa tal felicidade.
- Verdade. Agora foi o senhor que me surpreendeu – disse ela, ao mesmo tempo em que se levantava da poltrona, num claro sinal de que nossa conversa estava terminada. - Até a próxima seu Dedé.
- Obrigado.
Ao sair, dei uma olhada para o céu. Era uma tarde de novembro, sem chuva. Brancas nuvens em forma disforme se espalhavam preguiçosamente sobre o céu azul. Leve brisa soprava por cima das copas das árvores provocando tremores nas folhas, talvez receosas de caírem ao chão. Por outras vezes, o branco dos cirros desaparecia como a brincar de esconder, deixando à mostra somente o azul infinito, indecifrável, misterioso. Um quadro que a natureza nos pinta e que, imperceptivelmente, emoldura nossos dias.
Isso, para mim, representa felicidade.



