quarta-feira, agosto 25, 2010

              NARCISO ACHA FEIO O QUE É ESPELHO? 

- Bom dia doutora! Tudo bem?  - lá estava eu no consultório de minha terapeuta para mais uma conversa.
- Bom dia seu Dedé, graças a Deus tudo bem e o senhor?
- Eu estou ótimo, também graças a Deus e às nossas sessões de terapia e mais ainda agora.
- Como assim?
- Nesta época, eleições à vista, o espírito cívico e patriótico emerge das pessoas, algumas então se destacam, elas querem colaborar.
- É mesmo?
- São esses candidatos a deputado estadual, federal, ao Senado. Cantores ou ex-cantores, humoristas, estilistas, esportistas, enfim, gente - como se diz hoje - de todas as tribos, com o patriotismo aguçado, prontos a servir ao país, criando projetos, leis em benefício do povo...
- Seu Dedé, estou percebendo certo cinismo, um tom de sarcasmo em suas palavras... mas não é bem assim. Evidente, há muitos querendo aparecer, entendem a democracia como um motivo para piada, gozação, mas há outros com vontade mesmo de reverter esse quadro que aí está.
- Eu acho que a maioria deles confunde urna eletrônica com urna histriônica...
- Pode até ser, já que, psicologicamente falando, o histrionismo é um distúrbio próprio de pessoas que querem chamar a atenção, exageradas...
- Ah! Doutora Ana Lisa, a senhora é mesmo uma incorrigível otimista. Aliás, faz parte de sua profissão, mas não podemos levar a sério esse tipo de propaganda eleitoral, mesmo porque, gramaticalmente, essa palavra é derivada do Latim, significando palhaço, comediante, charlatão...
- É um direito seu não aceitar, como também é um direito deles assim se expressar, faz parte da democracia, ou melhor, faz parte da nossa democracia porque o comportamento dessas pessoas traduz - infelizmente- a nossa cultura, é o reflexo do povo brasileiro.
Essas palavras de minha terapeuta não apenas encerraram nossa conversa de hoje como também revelaram o quadro político que está à nossa frente e mais, deixaram a dúvida (contrariando Caetano): será que Narciso acha feio o que é espelho?

sábado, agosto 07, 2010

          ENXERGANDO ATRAVÉS DO OLHAR DA NATUREZA

   Em um dia como estes, em que a natureza parece ter feito uma faxina neste "céu que nos protege", removendo as nuvens e deixando só o sol e sua luz dourada banhando a Terra, estava eu sobre as pedras do emissário submarino na praia do José Menino na minha Santos, meditando sobre a profundidade da camada pré-sal... Do mar, vinha aquela brisa agitando guarda-sóis, coqueiros, palmeiras e pensamentos. O tipo e a direção da corrente de ar não consigo definir, seria uma missão para meu amigo Viviani, aficcionado do vôo livre e exímio piloto de paraglider...
   De repente, talvez como efeito do vento, minha reflexão mudou de direção, voltou-se para "os corações insensíveis", ou seja, para aquilo que imaginamos ser a falta de sensibilidade para apreciar as coisas simples da vida, melhor dizendo, para enxergar a natureza que está à nossa frente: a imensidão e os mistérios que o mar oculta; o céu totalmente azul ou pincelado de branco; o nascer e o pôr do sol; o prateado da lua iluminando nossos caminhos cá na Terra; os ipês com suas flores roxas, amarelas ou brancas, acarpetando as pistas do parque Ibirapuera; o Chorão, com seus galhos em um protesto mudo, tentando mergulhar na água poluída do lago.
Na realidade, "os corações insensíveis" não existem. O que acontece é que normalmente não enxergamos essas belezas.Nossas obrigações materiais, como aluguel, prestações, financiamento, o sobe e desce da Bolsa... turvam nossa visão, não nos deixam ver o que está mais à vista, impedem que a sensibilidade aflore e faça parte de nosso cotidiano. "O coração aberto para as belezas da natureza não fecha minhas contas no fim do mês". Verdade. Mas também é verdadeiro o fato de que, com uma maior integração, enxergaríamos "este mundo que nos rodeia" de uma forma otimista e confiante, certos de que nossos compromissos serão resolvidos a seu tempo e da melhor maneira possível. Vamos tentar? 


Escrito em um lindo domingo de agosto, dia 08, dia dos Pais.