23/10/2009
A resposta nas palavras do poeta.
Não havia se passado uma semana e lá estava eu, na sala de espera de minha psicanalista folheando revistas médicas e aquelas mais antigas que sempre encontramos nos consultórios. Só que no da Dra. Ana Lisa era demais, não sei de onde vinha tanto mofo: a mais nova era “O Cruzeiro” de 1972 (!), entre “Revistas do Rádio”, “Cinelândias” e até almanaques “d’O Pensamento” (talvez relíquias da família). De repente, abre-se a porta e surge a figura indefectível da doutora, com seu vestido branco e aquele olhar enigmático por trás das lentes de contato. - Bom dia, por favor, entre. - E antes que eu pudesse descansar meu corpo exausto naquele já meu conhecido divã, ela adverte: - Pois é seu Dedé - às vezes ela era formal demais - não gostei nada de sua atitude em nossa última sessão. O senhor saiu furtivamente e eu fiquei aqui falando sozinha... - Bom dia Dra. Ana Lisa e perdão, você -querendo retomar a informalidade- tem razão. Eu fui um tanto mal educado, reconheço. Fique tranqüila, não tenho nada contra a terapia, mesmo porque se não fosse você eu estaria entregue aos Anafranil da vida ... mas havia um compromisso profissional inadiável, já estava em cima da hora e... - Certo seu Dedé, mas espero que isso não aconteça mais, afinal o nosso compromisso, ou seja, sua terapia deve ter prioridade. Acomode-se. Ajeitei-me o melhor possível, semicerrei os olhos e aguardei. - Pode falar, põe pra fora, conte-me tudo! – Ela foi incisiva. - São tantas novidades doutora, tantas emoções, tantas idas e vindas que acontecem em nossas vidas, que, às vezes, tenho a impressão de que estamos sendo testados. Sabe, parece que de tempos em tempos somos colocados à prova. É mais ou menos como aquela conversa sobre existencialismo: o que estamos fazendo aqui, por que estamos aqui, minha missão está se realizando a contento? O porquê disso e o porquê daquilo. - Entendo – disse ela – é normal isso acontecer de tempos em tempos. Como dizem atualmente, é a fase, faz parte, mas uma boa tentativa é refletir sobre tudo isso, tentar chegar fundo às origens desses questionamentos. Meditar sobre ... - Mas é isso mesmo que tenho feito doutora – falei, interrompendo bruscamente aquelas recomendações. Nos últimos dias – prossegui – medito, dito a mim, seja lá o que isso quer dizer, buscando encontrar a motivação disso tudo, mas volto sempre à estaca zero. A verdade eu entendo que, sinceramente, nunca saberei. Essa é a única certeza que tenho. - Não seu Dedé, essa certeza não é a única, muitas outras virão com o tempo. E, a propósito, antes de terminar nossa sessão de hoje, - rapidinha ela, não? - acabo de lembrar de certas palavras do genial escritor e poeta português Fernando Pessoa e entendo que essa citação pode ajudar. Ouça e não esqueça: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Dito isto, dei um suspiro de alívio, levantei e me despedi, na certeza de que a resposta aos meus “porquês” estava nessas palavras.
" O QUE É DE UM HOMEM QUE NÃO VALORIZA SUAS RAÍZES, NÃO CULTUA SUA ORIGEM E SE ESQUECE, OU FINGE QUE ESQUECE, DE ONDE VEIO? " (AVIV).
domingo, outubro 25, 2009
17/10/2009
Dia do Médico.
Neste domingo, dia 18 de outubro, comemora-se o Dia do Médico e talvez você não saiba, mas a data foi escolhida por ser o dia dedicado pela Igreja a Lucas, “o amado médico”, um dos evangelistas. São Lucas tornou-se, dessa forma, o patrono dos médicos, simples não? Dito isto, preciso explicar o porquê de escrever a respeito desta data. Muitos de vocês não sabem, mas um dos meus sonhos não realizados (daquela série “o importante é sonhar, mesmo que não passem disso, sonhem”), era ser médico. E isso remonta há muitos, muitos anos quando, ainda menino, ia com minha mãe até onde ela trabalhava. Dona Helena era funcionária pública e exercia as funções de enfermeira junto a respeitáveis senhores doutores, impecavelmente trajados de branco, no extinto IAPM (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos) num prédio da Praça da República, na minha querida Santos. E assim foi até se aposentar, já no INPS. Voltando àquelas lembranças, recordo que aquilo tudo chamava minha atenção: era uma construção enorme, muitos andares, escadarias, elevadores; médicos, enfermeiros, pacientes circulando e eu observando, maravilhado. Caminhava pelos corredores, salas de espera, seguia o entra e sai dos segurados, o comportamento sempre cordial dos médicos, a atenção dispensada (claro, eram outros tempos!). Essa fase realmente foi marcante, tanto que, na adolescência, só falava em me formar em medicina. Bem, resumo da ópera, tentei mas não consegui passar no vestibular, talvez por falta de capacidade ou sei lá o que. Mas o que realmente importa nesta conversa, é o registro que quero fazer através, entre outros, das ilustres figuras do Dr. Caio (cardiologista), do Dr. Pedro Ivo (neurologista), da fictícia personagem Dra. Ana Lisa (terapeuta) - estou bem, não? – de minha profunda admiração, respeito e gratidão. Minha homenagem a todos os médicos que honram o juramento de Hipócrates e fazem da medicina um verdadeiro sacerdócio. E antes de terminar, reproduzo palavras confortadoras de meu irmão: ”que grande artista a Medicina perdeu". Será?
Dia do Médico.
Neste domingo, dia 18 de outubro, comemora-se o Dia do Médico e talvez você não saiba, mas a data foi escolhida por ser o dia dedicado pela Igreja a Lucas, “o amado médico”, um dos evangelistas. São Lucas tornou-se, dessa forma, o patrono dos médicos, simples não? Dito isto, preciso explicar o porquê de escrever a respeito desta data. Muitos de vocês não sabem, mas um dos meus sonhos não realizados (daquela série “o importante é sonhar, mesmo que não passem disso, sonhem”), era ser médico. E isso remonta há muitos, muitos anos quando, ainda menino, ia com minha mãe até onde ela trabalhava. Dona Helena era funcionária pública e exercia as funções de enfermeira junto a respeitáveis senhores doutores, impecavelmente trajados de branco, no extinto IAPM (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos) num prédio da Praça da República, na minha querida Santos. E assim foi até se aposentar, já no INPS. Voltando àquelas lembranças, recordo que aquilo tudo chamava minha atenção: era uma construção enorme, muitos andares, escadarias, elevadores; médicos, enfermeiros, pacientes circulando e eu observando, maravilhado. Caminhava pelos corredores, salas de espera, seguia o entra e sai dos segurados, o comportamento sempre cordial dos médicos, a atenção dispensada (claro, eram outros tempos!). Essa fase realmente foi marcante, tanto que, na adolescência, só falava em me formar em medicina. Bem, resumo da ópera, tentei mas não consegui passar no vestibular, talvez por falta de capacidade ou sei lá o que. Mas o que realmente importa nesta conversa, é o registro que quero fazer através, entre outros, das ilustres figuras do Dr. Caio (cardiologista), do Dr. Pedro Ivo (neurologista), da fictícia personagem Dra. Ana Lisa (terapeuta) - estou bem, não? – de minha profunda admiração, respeito e gratidão. Minha homenagem a todos os médicos que honram o juramento de Hipócrates e fazem da medicina um verdadeiro sacerdócio. E antes de terminar, reproduzo palavras confortadoras de meu irmão: ”que grande artista a Medicina perdeu". Será?
11/10/2009
A utopia de Lennon e o Nobel de Obama.
Neste 9 de outubro o mundo ficou sabendo que o presidente norte-americano, Barack Obama, foi premiado com o Nobel da Paz, 2009. E aí começaram aquelas intermináveis discussões: merece ou não merece; é justo ou não; “mas, já”? Ele mesmo se mostrou surpreso e afirmou não ter certeza de ser merecedor dessa honraria. Desde que assumiu o cargo em janeiro deste ano, em meio à crise financeira, a comunidade internacional está focando o trabalho de Barack. Afinal, o primeiro presidente negro da maior potência mundial, fez-se conhecer, também, pelos discursos anti-belicistas durante a campanha eleitoral, bem ao contrário de seu antecessor, o war-man George W. Bush. O presidente do Comitê Nobel da Noruega - (o Nobel da Paz é o único anunciado na Noruega, os outros o são na Suécia) - justificou a escolha dizendo que “foi dada muita importância à visão e aos esforços de Obama na perspectiva de um mundo sem armas nucleares”, além do comprometimento “para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. Dito isto e tirante a minha opinião, é certo que esse laurel vai aumentar, em muito, a responsabilidade de Barack Obama diante do olhar internacional, sempre vigilante e muitas vezes de viés. Coincidentemente, também em um 9 de outubro, mas em 1940 durante a II Guerra Mundial, vinha ao mundo em Liverpool, Inglaterra, John Winston Lennon, ou simplesmente John Lennon, um dos Beatles (ou para muitos o melhor), que se transformou em um dos ícones do século XX. Marcou presença, além da genialidade na música, por sua posição política contestadora e polêmicas declarações. Entre tantas genialidades, em 1969 compôs “Give Peace a Chance / Dê uma chance à Paz”, um libelo contra a Guerra do Vietnã, onde resumia todo o blá-blá-blá em “tudo o que dizemos é dê uma chance à paz”. Em 71, “Imagine”, visualizava um mundo onde as pessoas viveriam em paz: “Imagine que não há nenhum país, não é difícil de fazer; nenhum motivo para matar ou morrer; imagine todas as pessoas vivendo em paz; você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único”. Um hino da paz em todo o mundo. Um sonhador que nos deixou em dezembro de 1980 pelo revólver de Mark David Chapman, sem ver seu ideal transformar-se em realidade. Ao traçar este paralelo entre os dois, a conclusão nos remete a uma pergunta que, por ora, fica sem resposta: o presidente americano será merecedor de fato e de direito do Nobel da Paz, conseguindo tornar realidade a paz tão sonhada e cantada por Lennon ou será, ele mesmo Barack Obama, a própria utopia? Dedé Gomes - nem doutrinando, nem comentando; simplesmente conversando com você.
A utopia de Lennon e o Nobel de Obama.
Neste 9 de outubro o mundo ficou sabendo que o presidente norte-americano, Barack Obama, foi premiado com o Nobel da Paz, 2009. E aí começaram aquelas intermináveis discussões: merece ou não merece; é justo ou não; “mas, já”? Ele mesmo se mostrou surpreso e afirmou não ter certeza de ser merecedor dessa honraria. Desde que assumiu o cargo em janeiro deste ano, em meio à crise financeira, a comunidade internacional está focando o trabalho de Barack. Afinal, o primeiro presidente negro da maior potência mundial, fez-se conhecer, também, pelos discursos anti-belicistas durante a campanha eleitoral, bem ao contrário de seu antecessor, o war-man George W. Bush. O presidente do Comitê Nobel da Noruega - (o Nobel da Paz é o único anunciado na Noruega, os outros o são na Suécia) - justificou a escolha dizendo que “foi dada muita importância à visão e aos esforços de Obama na perspectiva de um mundo sem armas nucleares”, além do comprometimento “para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. Dito isto e tirante a minha opinião, é certo que esse laurel vai aumentar, em muito, a responsabilidade de Barack Obama diante do olhar internacional, sempre vigilante e muitas vezes de viés. Coincidentemente, também em um 9 de outubro, mas em 1940 durante a II Guerra Mundial, vinha ao mundo em Liverpool, Inglaterra, John Winston Lennon, ou simplesmente John Lennon, um dos Beatles (ou para muitos o melhor), que se transformou em um dos ícones do século XX. Marcou presença, além da genialidade na música, por sua posição política contestadora e polêmicas declarações. Entre tantas genialidades, em 1969 compôs “Give Peace a Chance / Dê uma chance à Paz”, um libelo contra a Guerra do Vietnã, onde resumia todo o blá-blá-blá em “tudo o que dizemos é dê uma chance à paz”. Em 71, “Imagine”, visualizava um mundo onde as pessoas viveriam em paz: “Imagine que não há nenhum país, não é difícil de fazer; nenhum motivo para matar ou morrer; imagine todas as pessoas vivendo em paz; você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único”. Um hino da paz em todo o mundo. Um sonhador que nos deixou em dezembro de 1980 pelo revólver de Mark David Chapman, sem ver seu ideal transformar-se em realidade. Ao traçar este paralelo entre os dois, a conclusão nos remete a uma pergunta que, por ora, fica sem resposta: o presidente americano será merecedor de fato e de direito do Nobel da Paz, conseguindo tornar realidade a paz tão sonhada e cantada por Lennon ou será, ele mesmo Barack Obama, a própria utopia? Dedé Gomes - nem doutrinando, nem comentando; simplesmente conversando com você.
La liberté est un clown - parte 2.
Após 12 dias na Estação Espacial Internacional, retornou neste domingo à Terra, o primeiro “palhaçonauta”, o canadense Guy Laliberté, fundador do Cirque de Soleil. Depois de muitas estrepolias, cambalhotas e piruetas, Laliberté e mais um russo e um americano chegaram tranquilamente à base de Baikonur, nas estepes do Cazaquistão. Vocês hão de lembrar que no dia 12 de setembro, junto com dois astronautas, ele subiu ao espaço a bordo da Soyus, pagando míseros 35 milhões de dólares, o que pra nós, simples mortais, já é uma incrível piada (de mau gosto). Precedendo o retorno, durante a madrugada, ele apresentou uma performance artística a bordo da Estação Espacial para chamar a atenção (?) para a escassez de água no mundo, o que, segundo ele, foi o real motivo dessa viagem turística. De lá, há mais de 400 km, ele viu estrelas, escuridão e o vazio e constatou que o planeta Terra é lindo e frágil, o que, convenhamos, a humanidade já sabe e não é de hoje. E já que estamos de volta a este grande circo, vamos baixar a lona, deixar de palhaçada, tirar o nariz vermelho e falar sério monsieur Laliberté: não seria mais fácil e o senhor não iria aparecer mais, se empregasse os 35 milhões de dólares para ajudar a levar água e saneamento a alguma cidade africana?
Após 12 dias na Estação Espacial Internacional, retornou neste domingo à Terra, o primeiro “palhaçonauta”, o canadense Guy Laliberté, fundador do Cirque de Soleil. Depois de muitas estrepolias, cambalhotas e piruetas, Laliberté e mais um russo e um americano chegaram tranquilamente à base de Baikonur, nas estepes do Cazaquistão. Vocês hão de lembrar que no dia 12 de setembro, junto com dois astronautas, ele subiu ao espaço a bordo da Soyus, pagando míseros 35 milhões de dólares, o que pra nós, simples mortais, já é uma incrível piada (de mau gosto). Precedendo o retorno, durante a madrugada, ele apresentou uma performance artística a bordo da Estação Espacial para chamar a atenção (?) para a escassez de água no mundo, o que, segundo ele, foi o real motivo dessa viagem turística. De lá, há mais de 400 km, ele viu estrelas, escuridão e o vazio e constatou que o planeta Terra é lindo e frágil, o que, convenhamos, a humanidade já sabe e não é de hoje. E já que estamos de volta a este grande circo, vamos baixar a lona, deixar de palhaçada, tirar o nariz vermelho e falar sério monsieur Laliberté: não seria mais fácil e o senhor não iria aparecer mais, se empregasse os 35 milhões de dólares para ajudar a levar água e saneamento a alguma cidade africana?
07/10/2009.
De volta ao consultório.
E de volta ao consultório da minha psicanalista, a Dra. Ana Lisa, ela me recebe com aquele sorriso “monalisístico”, ou seja, ambíguo, nem sim e muito menos não... - Olá, Dedé! – e apontando o divã - fique à vontade. Deite-se. Acomodando minhas escoliose e lordose, refestelei-me naquela peça antiquada de um marrom desbotado. Bem em frente, uma foto da doutora quando mais nova. Bonita, loira, olhos verdes. Agora, o tempo já havia deixado suas marcas mas, cá entre nós, não havia lhe tirado a essência da beleza. Ela sentou-se na poltrona estrategicamente colocada atrás. Começava a sessão: - Acho que estou progredindo. Já posso compreender e entender mas ainda não aceito certos acontecimentos que antes me deixavam muito estressado. - Explique melhor. - Esse caso agora do MST no interior de São Paulo. Os militantes invadiram uma fazenda, se instalaram e, de quebra, começaram a derrubar a plantação de laranjas. Foram cinco mil pés. Imagine doutora, com um trator eles iam lançando por terra toda uma seqüência de trabalho, ou seja, do plantio da muda até o crescimento, floração e maturação dos frutos. - Barbaridade, Dedé! – disse ela com o típico sotaque gaúcho (eu ainda não havia contado pra vocês que ela é de Vacaria, no Rio Grande do Sul). - E acrescentei: - Esse tipo de ação vai exatamente contra o que, supostamente, eles querem, a reforma agrária. - Veja bem – disse eu, torcendo o pescoço pra tentar enxergá-la – eles alegaram que fizeram isso para plantar feijão que dá muito mais “sustança”... - Bah! Pelas barbas de Freud! - E, trocando de lugar comigo, divagou: se eu bem entendi, eles vão plantar feijão, preparar uma suculenta feijoada e só estará faltando o acompanhamento principal: as laranjas. Isso sem falar na caipirinha que eles já estão tomando, é claro. Depois dessa e antes que ela começasse a explicar, psicanaliticamente, as razões dessa bandalheira, levantei-me sorrateiramente e fui embora, antes que a mandasse... ... plantar batatas!
De volta ao consultório.
E de volta ao consultório da minha psicanalista, a Dra. Ana Lisa, ela me recebe com aquele sorriso “monalisístico”, ou seja, ambíguo, nem sim e muito menos não... - Olá, Dedé! – e apontando o divã - fique à vontade. Deite-se. Acomodando minhas escoliose e lordose, refestelei-me naquela peça antiquada de um marrom desbotado. Bem em frente, uma foto da doutora quando mais nova. Bonita, loira, olhos verdes. Agora, o tempo já havia deixado suas marcas mas, cá entre nós, não havia lhe tirado a essência da beleza. Ela sentou-se na poltrona estrategicamente colocada atrás. Começava a sessão: - Acho que estou progredindo. Já posso compreender e entender mas ainda não aceito certos acontecimentos que antes me deixavam muito estressado. - Explique melhor. - Esse caso agora do MST no interior de São Paulo. Os militantes invadiram uma fazenda, se instalaram e, de quebra, começaram a derrubar a plantação de laranjas. Foram cinco mil pés. Imagine doutora, com um trator eles iam lançando por terra toda uma seqüência de trabalho, ou seja, do plantio da muda até o crescimento, floração e maturação dos frutos. - Barbaridade, Dedé! – disse ela com o típico sotaque gaúcho (eu ainda não havia contado pra vocês que ela é de Vacaria, no Rio Grande do Sul). - E acrescentei: - Esse tipo de ação vai exatamente contra o que, supostamente, eles querem, a reforma agrária. - Veja bem – disse eu, torcendo o pescoço pra tentar enxergá-la – eles alegaram que fizeram isso para plantar feijão que dá muito mais “sustança”... - Bah! Pelas barbas de Freud! - E, trocando de lugar comigo, divagou: se eu bem entendi, eles vão plantar feijão, preparar uma suculenta feijoada e só estará faltando o acompanhamento principal: as laranjas. Isso sem falar na caipirinha que eles já estão tomando, é claro. Depois dessa e antes que ela começasse a explicar, psicanaliticamente, as razões dessa bandalheira, levantei-me sorrateiramente e fui embora, antes que a mandasse... ... plantar batatas!
06/10/2009.
Sabe aqueles dias... ...
Sabe aqueles dias em que você sai da cama com a sensação de não ter dormido nada e de fato não dormiu? Pois é, hoje era um desses dias. As pernas não obedeciam ao comando do cérebro que, por seu lado, não estava a fim de dar ordens pra nada. É quase que um estado letárgico. Mas ao sair de casa, com o dia já indo claro, percebi que o sol teimava em me acompanhar, iluminando, clareando ainda mais os caminhos, como a me mostrar que a vida estava presente, à minha espera, só aguardando que eu também fizesse a minha parte. Ao mesmo tempo, ao lado do carro, percebi aquele grupo de atletas da madrugada fazendo a corridinha básica antes do trabalho. Não era uma novidade, eles estavam sempre por ali, mas hoje, coincidentemente, essa moçada “despertou” ainda mais minha atenção. Tenho certeza que esse quadro não é estranho pra você. E é assim mesmo que a coisa funciona. Sempre alguma coisa acontece ou aparece alguém nos motivando, para que a gente desperte para a vida. É tipo um sinal que vem, sabe-se lá de onde (dependendo de sua crença), a dizer: “Cara, que é isso? Sai dessa, se liga, respira fundo e vai em frente que você é o dono de sua vontade e é preciso exercitá-la sempre!”
Sabe aqueles dias... ...
Sabe aqueles dias em que você sai da cama com a sensação de não ter dormido nada e de fato não dormiu? Pois é, hoje era um desses dias. As pernas não obedeciam ao comando do cérebro que, por seu lado, não estava a fim de dar ordens pra nada. É quase que um estado letárgico. Mas ao sair de casa, com o dia já indo claro, percebi que o sol teimava em me acompanhar, iluminando, clareando ainda mais os caminhos, como a me mostrar que a vida estava presente, à minha espera, só aguardando que eu também fizesse a minha parte. Ao mesmo tempo, ao lado do carro, percebi aquele grupo de atletas da madrugada fazendo a corridinha básica antes do trabalho. Não era uma novidade, eles estavam sempre por ali, mas hoje, coincidentemente, essa moçada “despertou” ainda mais minha atenção. Tenho certeza que esse quadro não é estranho pra você. E é assim mesmo que a coisa funciona. Sempre alguma coisa acontece ou aparece alguém nos motivando, para que a gente desperte para a vida. É tipo um sinal que vem, sabe-se lá de onde (dependendo de sua crença), a dizer: “Cara, que é isso? Sai dessa, se liga, respira fundo e vai em frente que você é o dono de sua vontade e é preciso exercitá-la sempre!”
03/10/2009.
Quando queremos, "yes we can".
O que você estará fazendo daqui a sete anos? Ainda trabalhando, estudando, será que casado, separada? Muitos estarão por aqui e, com certeza, outros tantos não. Você que hoje tem 3 anos estará com 10 e seu pai e/ou mãe contará que, em 2009 um tal Barak Obama usou como slogan da campanha presidencial “Yes, we can” e um certo Lula aproveitou as mesmas palavras para dizer, em português, “Sim, nós podemos” e o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. E mais, naquele ano, discutia-se a possibilidade de o Brasil promover um evento desse porte. Havia muitos problemas sociais: desemprego, serviço público ineficiente, falta de moradias, corrupção... Uns diziam que a prioridade seria resolver essas deficiências; outros comentavam que essa vitória elevaria a auto-estima de todos, a economia seria alavancada com investimentos e o Brasil alcançaria, de fato, seu lugar no chamado primeiro mundo. A nossa esperança também é essa e um crédito de confiança, sim mais um, deve ser dado a todos que se envolveram direta e indiretamente nessa conquista. Que ela sirva para conscientizar os políticos de seu verdadeiro papel; que o povo aprenda a cobrar seus direitos; que a honestidade seja a regra e não a exceção; que ela promova mais otimismo, confiança, determinação. E, com certeza, essa esperança vai nos acompanhar até 2016, mesmo porque, ela é a última que morre...
Quando queremos, "yes we can".
O que você estará fazendo daqui a sete anos? Ainda trabalhando, estudando, será que casado, separada? Muitos estarão por aqui e, com certeza, outros tantos não. Você que hoje tem 3 anos estará com 10 e seu pai e/ou mãe contará que, em 2009 um tal Barak Obama usou como slogan da campanha presidencial “Yes, we can” e um certo Lula aproveitou as mesmas palavras para dizer, em português, “Sim, nós podemos” e o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. E mais, naquele ano, discutia-se a possibilidade de o Brasil promover um evento desse porte. Havia muitos problemas sociais: desemprego, serviço público ineficiente, falta de moradias, corrupção... Uns diziam que a prioridade seria resolver essas deficiências; outros comentavam que essa vitória elevaria a auto-estima de todos, a economia seria alavancada com investimentos e o Brasil alcançaria, de fato, seu lugar no chamado primeiro mundo. A nossa esperança também é essa e um crédito de confiança, sim mais um, deve ser dado a todos que se envolveram direta e indiretamente nessa conquista. Que ela sirva para conscientizar os políticos de seu verdadeiro papel; que o povo aprenda a cobrar seus direitos; que a honestidade seja a regra e não a exceção; que ela promova mais otimismo, confiança, determinação. E, com certeza, essa esperança vai nos acompanhar até 2016, mesmo porque, ela é a última que morre...
01/10/2009
La Liberté est un clown.
O que leva alguém a desembolsar 35 milhões de dólares para viajar ao espaço? Claro, primeiro ter esse dinheiro todo. Segundo, a coragem. Depois, bem, podemos conjecturar que seria a curiosidade pelo desconhecido ou sentir a falta de gravidade ou confirmar se a Terra é mesmo azul vista do espaço, sei lá... O criador do Cirque du Soleil, o canadense Guy Laliberté, tornou-se, nesta quarta-feira, o sétimo turista a concretizar o sonho de “chegar às nuvens”. O que se tem certeza, é que ele prometeu fazer os astronautas que o acompanham, rirem muito nestes 12 dias em que ficarão na Estação Espacial Internacional, distante aproximadamente 400 km da Terra. Quer dizer, será o primeiro palhaçonauta no imenso picadeiro espacial. Vivre La liberté. Viva a Liberdade!
La Liberté est un clown.
O que leva alguém a desembolsar 35 milhões de dólares para viajar ao espaço? Claro, primeiro ter esse dinheiro todo. Segundo, a coragem. Depois, bem, podemos conjecturar que seria a curiosidade pelo desconhecido ou sentir a falta de gravidade ou confirmar se a Terra é mesmo azul vista do espaço, sei lá... O criador do Cirque du Soleil, o canadense Guy Laliberté, tornou-se, nesta quarta-feira, o sétimo turista a concretizar o sonho de “chegar às nuvens”. O que se tem certeza, é que ele prometeu fazer os astronautas que o acompanham, rirem muito nestes 12 dias em que ficarão na Estação Espacial Internacional, distante aproximadamente 400 km da Terra. Quer dizer, será o primeiro palhaçonauta no imenso picadeiro espacial. Vivre La liberté. Viva a Liberdade!
30/09/2009
Estou no planeta errado?
Amor e dor. À primeira vista, dois sentimentos antagônicos, dois sentimentos que não poderiam conviver no auxílio à nossa evolução. Mas como poderemos entender que a dor e o sofrimento, também nos ajudam nessa escalada? Crescer pelo Amor pode até nos parecer tarefa das mais fáceis se o praticarmos e vivenciarmos sempre. E aí nos deparamos com mais uma questão: sabemos amar? Nosso coração está realmente espargindo luz por onde caminhamos? Final de setembro e os meteorologistas constatam o recorde de 30 anos de chuva, frio e vento no sul do país. 4 mil e quinhentas pessoas desabrigadas no Rio Grande do Sul; em Santa Catarina mais de 4 mil tiveram que deixar suas casas, sem contar os desaparecidos e os, infelizmente, mortos.Sofrimento.Tragédia. No Pacífico, terremoto de aproximadamente 8 graus, provoca tsunami no arquipélago de Samoa, deixando mais de 100 mortos. Desespero. Tragédia. Indonésia, ilha de Sumatra: terremoto provoca, até agora, quase 500 mortes. Dor. Tragédia, mais uma da mãe natureza. Espiritualmente falando, trata-se de uma depuração, um resgate coletivo. Materialmente é uma dor que não faz sentido. Em todos os casos, é triste, doloroso, chocante. Este sofrimento mostra que, em algum momento, nós seres humanos, agimos contra a Lei Maior, a do Amor. A dor que sentimos está nessa mesma proporção. Porém, se a rejeitarmos, iremos intensificar o sofrimento. Ao contrário, aceitá-la conscientemente, é como uma advertência a nos lembrar que existem sempre dois caminhos em nossa evolução: crescer pelo amor e crescer pela dor. Só assim estaremos subindo os degraus de amor e dor que, juntos, nos conduzem à já mencionada evolução espiritual. Ou será que esquecemos que vivemos num mundo de provas e expiações?
Estou no planeta errado?
Amor e dor. À primeira vista, dois sentimentos antagônicos, dois sentimentos que não poderiam conviver no auxílio à nossa evolução. Mas como poderemos entender que a dor e o sofrimento, também nos ajudam nessa escalada? Crescer pelo Amor pode até nos parecer tarefa das mais fáceis se o praticarmos e vivenciarmos sempre. E aí nos deparamos com mais uma questão: sabemos amar? Nosso coração está realmente espargindo luz por onde caminhamos? Final de setembro e os meteorologistas constatam o recorde de 30 anos de chuva, frio e vento no sul do país. 4 mil e quinhentas pessoas desabrigadas no Rio Grande do Sul; em Santa Catarina mais de 4 mil tiveram que deixar suas casas, sem contar os desaparecidos e os, infelizmente, mortos.Sofrimento.Tragédia. No Pacífico, terremoto de aproximadamente 8 graus, provoca tsunami no arquipélago de Samoa, deixando mais de 100 mortos. Desespero. Tragédia. Indonésia, ilha de Sumatra: terremoto provoca, até agora, quase 500 mortes. Dor. Tragédia, mais uma da mãe natureza. Espiritualmente falando, trata-se de uma depuração, um resgate coletivo. Materialmente é uma dor que não faz sentido. Em todos os casos, é triste, doloroso, chocante. Este sofrimento mostra que, em algum momento, nós seres humanos, agimos contra a Lei Maior, a do Amor. A dor que sentimos está nessa mesma proporção. Porém, se a rejeitarmos, iremos intensificar o sofrimento. Ao contrário, aceitá-la conscientemente, é como uma advertência a nos lembrar que existem sempre dois caminhos em nossa evolução: crescer pelo amor e crescer pela dor. Só assim estaremos subindo os degraus de amor e dor que, juntos, nos conduzem à já mencionada evolução espiritual. Ou será que esquecemos que vivemos num mundo de provas e expiações?
27/09/2009 No Divã.
Deitado sobre o divã da doutora Ana Lisa, minha psicanalista, comentei sobre o mais recente ato do “nosso” acadêmico presidente do Senado, José Sarney. - Pois é doutora, ele cortou 511 cargos da Casa. - Que bom - disse ela – parece que os políticos estão evoluindo, estão mais preocupados com a ética, com o dinheiro público. - É... mas deixe que eu explico melhor. Esses cargos não estavam ocupados... ninguém será demitido e, é claro, não haverá economia nenhuma. Silêncio, silêncio total. De repente e se recobrando do leve desmaio, ela diz: - Por todas as teorias de Freud! Com licença Dedé, troque de lugar comigo. Agora, sentado, acrescentei: - Os políticos têm uma visão diferente da nossa; no futuro essas vagas não poderão ser ocupadas... eles enxergam longe, só pensam no bem da Pátria. - Ah que ótimo – exclamou a Dra. Ana Lisa – agora entendi. Para concluir a sessão, já que ela cobra por minuto, disse: - Veja, só na gráfica do Senado, 292 cargos serão cortados. Ao que, pra minha surpresa e ainda deitada, a terapeuta sentenciou: - Como disse o Haisem Abaki no Primeira Hora da RB, esse ato não vai provocar uma boa IMPRESSÃO”! Aí quem desmaiou fui eu.
Deitado sobre o divã da doutora Ana Lisa, minha psicanalista, comentei sobre o mais recente ato do “nosso” acadêmico presidente do Senado, José Sarney. - Pois é doutora, ele cortou 511 cargos da Casa. - Que bom - disse ela – parece que os políticos estão evoluindo, estão mais preocupados com a ética, com o dinheiro público. - É... mas deixe que eu explico melhor. Esses cargos não estavam ocupados... ninguém será demitido e, é claro, não haverá economia nenhuma. Silêncio, silêncio total. De repente e se recobrando do leve desmaio, ela diz: - Por todas as teorias de Freud! Com licença Dedé, troque de lugar comigo. Agora, sentado, acrescentei: - Os políticos têm uma visão diferente da nossa; no futuro essas vagas não poderão ser ocupadas... eles enxergam longe, só pensam no bem da Pátria. - Ah que ótimo – exclamou a Dra. Ana Lisa – agora entendi. Para concluir a sessão, já que ela cobra por minuto, disse: - Veja, só na gráfica do Senado, 292 cargos serão cortados. Ao que, pra minha surpresa e ainda deitada, a terapeuta sentenciou: - Como disse o Haisem Abaki no Primeira Hora da RB, esse ato não vai provocar uma boa IMPRESSÃO”! Aí quem desmaiou fui eu.
24/09/2009 Dia "Sem" Vergonha.
E lá em Brasília os "nossos" congressistas aprovaram, em segundo turno, o aumento em cerca de 8 mil do número de vagas de vereadores em todo o país. Só pra vocês terem uma idéia, Santos, a minha cidade, tem 17 valorosos edis. Agora serão 23! Após essa benemérita (!) decisão, ainda empolgados, os suplentes que lotavam as galerias, entoaram a plenos pulmões o Hino Nacional Brasileiro ( que exemplo de cidadania!). Nesses tempos de "dia sem", bem que poderíamos comemorar essa quarta-feira como o Dia "Sem" Vergonha .
E lá em Brasília os "nossos" congressistas aprovaram, em segundo turno, o aumento em cerca de 8 mil do número de vagas de vereadores em todo o país. Só pra vocês terem uma idéia, Santos, a minha cidade, tem 17 valorosos edis. Agora serão 23! Após essa benemérita (!) decisão, ainda empolgados, os suplentes que lotavam as galerias, entoaram a plenos pulmões o Hino Nacional Brasileiro ( que exemplo de cidadania!). Nesses tempos de "dia sem", bem que poderíamos comemorar essa quarta-feira como o Dia "Sem" Vergonha .
23/09/2009 A Velha Casa
E eu voltei a entrar na velha casa, talvez ainda procurando sentir, enxergar com os olhos do passado, as recordações, os “velhos fantasmas”. A sala da frente pintada e repintada, sem mais aqueles contornos laterais; os vidros nas janelas, não mais aqueles coloridos, desenhados. Agora, frios, transparentes, querendo mostrar a triste realidade. Junto à sala um quarto igualmente descaracterizado, cal sobre cal. Busquei, com olhos impacientes, as outras dependências: a sala de visitas, os outros dois quartos, a cozinha, o banheiro, a escada que descia ao quintal... nada! Quem comprou o imóvel, simplesmente o “cortou” pela metade, para que houvesse maior espaço disponível para a sucata. Sim, porque ali agora funcionava um ferro-velho, depósito de materiais usados para revenda. Decepção, tristeza, sei lá o que senti, algo intraduzível, como se faltasse um pedaço, um pedaço do meu passado. No quintal, ao fundo, emoção: o velho abacateiro com suas folhas tristes como a tudo assistir sem entender nada e uma terra preta, úmida, chorosa, a perguntar onde estão todos. Aqueles eram outros tempos, tempo de pouca fartura e muita alegria; tempo de amizades sinceras e pouca desconfiança; tempo de conversa e não de internet; tempo de muito amor e pouca falsidade.
E eu voltei a entrar na velha casa, talvez ainda procurando sentir, enxergar com os olhos do passado, as recordações, os “velhos fantasmas”. A sala da frente pintada e repintada, sem mais aqueles contornos laterais; os vidros nas janelas, não mais aqueles coloridos, desenhados. Agora, frios, transparentes, querendo mostrar a triste realidade. Junto à sala um quarto igualmente descaracterizado, cal sobre cal. Busquei, com olhos impacientes, as outras dependências: a sala de visitas, os outros dois quartos, a cozinha, o banheiro, a escada que descia ao quintal... nada! Quem comprou o imóvel, simplesmente o “cortou” pela metade, para que houvesse maior espaço disponível para a sucata. Sim, porque ali agora funcionava um ferro-velho, depósito de materiais usados para revenda. Decepção, tristeza, sei lá o que senti, algo intraduzível, como se faltasse um pedaço, um pedaço do meu passado. No quintal, ao fundo, emoção: o velho abacateiro com suas folhas tristes como a tudo assistir sem entender nada e uma terra preta, úmida, chorosa, a perguntar onde estão todos. Aqueles eram outros tempos, tempo de pouca fartura e muita alegria; tempo de amizades sinceras e pouca desconfiança; tempo de conversa e não de internet; tempo de muito amor e pouca falsidade.
À Procura da Verdade.
Qual de nós nunca se perguntou, nunca se inquiriu sobre a vida e o seu real sentido? A procura pela Verdade, o desvendar dos infindáveis segredos da Natureza é inerente ao ser humano. O mais incrível é saber que nesta nova Era, uma grande parte da humanidade ainda acredita que na posse dos bens materiais esteja o verdadeiro sentido da existência, uma suposta felicidade. Acham eles que essa constante busca material é a única e exclusiva preocupação que deveríamos ter. Irracionalmente, comportam-se gozando a vida sem qualquer outro tipo de ideal, tendo nisso uma idéia fixa. Esquecem, ignoram, que estamos nesta passagem terrena para um constante trabalho de aprendizado em busca de nossa evolução. Nesse nosso aprender não haverá lugar para radicalismos de espécie alguma, não haverá tolhimento de nossa visão para que, assim, possamos enxergar além do que estamos vendo. Quantas vezes eu mesmo me flagrei em atitudes que me impediam de entender racionalmente o que acontecia ao meu redor... Esse tipo de comportamento continua influindo em meu raciocínio, mas agora, com a consciência desperta, o questionamento é feito, sempre tendo presente que a infalibilidade jamais será conseguida. Através da percepção poderemos distinguir o real do aparente, uma tarefa não das mais fáceis, evidentemente, já que estamos acostumados a nos deixar levar por palavras, sem ir fundo na procura do intraduzível. É preciso ter em mente que “palavras são palavras”, mesmo as empregadas nas frases mais buriladas e, por isso mesmo, enganosas. Já disse o poeta: “O homem que diz sou, não é, porque quem é mesmo, não sou”. Isso me fez meditar sobre se a gama de conhecimentos presente naquele que diz tudo saber é de fato real. Conclui, então, que o verdadeiro sábio não é aquele que se jacta de tudo saber, de discutir sobre todos os assuntos, de ter uma cultura enciclopédica. O real saber está no conhecimento pela qualidade e na transmissão desse conhecimento com simplicidade. Portanto, dessa forma, a quantidade não é, e nunca será, o apanágio de um verdadeiro mestre. Voltamos, então, à questão da procura pela solução dos problemas da vida, a busca incessante da razão de viver, o que é uma característica de muitos homens que tentam por todas as formas descobrir os segredos da Natureza. Por isso são criadas novas concepções, surgem novas idéias, diferentes linhas de raciocínio que levaram o homem ao estágio atual de conhecimentos. Essa busca, essa vontade de saber, é inata no ser humano, mas muitas das respostas que procuramos estão na Natureza e em nós mesmos! Só é preciso, como já disse anteriormente, ter a capacidade de enxergar além do que estamos vendo. E é esse predicado que devemos buscar incessantemente, dia após dia, através da meditação. Ao interiorizar nosso eu, muitas das perguntas serão respondidas, muitas revelações poderão ser feitas e a Verdade se fará presente para aquele que quiser ver.
Qual de nós nunca se perguntou, nunca se inquiriu sobre a vida e o seu real sentido? A procura pela Verdade, o desvendar dos infindáveis segredos da Natureza é inerente ao ser humano. O mais incrível é saber que nesta nova Era, uma grande parte da humanidade ainda acredita que na posse dos bens materiais esteja o verdadeiro sentido da existência, uma suposta felicidade. Acham eles que essa constante busca material é a única e exclusiva preocupação que deveríamos ter. Irracionalmente, comportam-se gozando a vida sem qualquer outro tipo de ideal, tendo nisso uma idéia fixa. Esquecem, ignoram, que estamos nesta passagem terrena para um constante trabalho de aprendizado em busca de nossa evolução. Nesse nosso aprender não haverá lugar para radicalismos de espécie alguma, não haverá tolhimento de nossa visão para que, assim, possamos enxergar além do que estamos vendo. Quantas vezes eu mesmo me flagrei em atitudes que me impediam de entender racionalmente o que acontecia ao meu redor... Esse tipo de comportamento continua influindo em meu raciocínio, mas agora, com a consciência desperta, o questionamento é feito, sempre tendo presente que a infalibilidade jamais será conseguida. Através da percepção poderemos distinguir o real do aparente, uma tarefa não das mais fáceis, evidentemente, já que estamos acostumados a nos deixar levar por palavras, sem ir fundo na procura do intraduzível. É preciso ter em mente que “palavras são palavras”, mesmo as empregadas nas frases mais buriladas e, por isso mesmo, enganosas. Já disse o poeta: “O homem que diz sou, não é, porque quem é mesmo, não sou”. Isso me fez meditar sobre se a gama de conhecimentos presente naquele que diz tudo saber é de fato real. Conclui, então, que o verdadeiro sábio não é aquele que se jacta de tudo saber, de discutir sobre todos os assuntos, de ter uma cultura enciclopédica. O real saber está no conhecimento pela qualidade e na transmissão desse conhecimento com simplicidade. Portanto, dessa forma, a quantidade não é, e nunca será, o apanágio de um verdadeiro mestre. Voltamos, então, à questão da procura pela solução dos problemas da vida, a busca incessante da razão de viver, o que é uma característica de muitos homens que tentam por todas as formas descobrir os segredos da Natureza. Por isso são criadas novas concepções, surgem novas idéias, diferentes linhas de raciocínio que levaram o homem ao estágio atual de conhecimentos. Essa busca, essa vontade de saber, é inata no ser humano, mas muitas das respostas que procuramos estão na Natureza e em nós mesmos! Só é preciso, como já disse anteriormente, ter a capacidade de enxergar além do que estamos vendo. E é esse predicado que devemos buscar incessantemente, dia após dia, através da meditação. Ao interiorizar nosso eu, muitas das perguntas serão respondidas, muitas revelações poderão ser feitas e a Verdade se fará presente para aquele que quiser ver.
21/09/2009 Reforma Íntima
Quando falamos em crianças, imediatamente nos lembramos de pureza, inocência, ingenuidade, enfim, tudo o que ainda não foi corrompido. Claro, porque nelas as imperfeições, maldades, vícios, não estão presentes. Não poucas vezes nos pegamos comentando: “é inocente como uma criança”, “parece criança, age sem maldade”, não é mesmo? E o pior, isso é dito com aquele ar crítico, em tom de superioridade, querendo mostrar uma pretensa sabedoria. É... mas os anos vão passando e o tempo, aos poucos, vai nos abrindo a consciência para melhor assimilar as verdades da vida ( não por acaso existe o ditado dizendo que o tempo é o melhor conselheiro). Os erros, os vícios, as imperfeições, dificultam a nossa melhor compreensão mas, ao mesmo tempo, eles devem impulsionar a nossa vontade, porque a necessidade de fazer despertar o homem espiritual passa pela obrigatoriedade de uma reforma, que só será conseguida quando essa vontade for maior que os apelos materiais.Vamos aprendendo e tentando, tentando e aprendendo a nos livrar dos vícios, das imperfeições para, assim, estarmos em condição de fazer brilhar a centelha divina do Criador presente em cada um de nós. Quão difícil é para o ser humano conseguir se libertar dos laços materiais que o impedem de uma entrega total à missão de praticar o bem, ou seja, amar o próximo. Sim, porque enquanto o apelo material for maior, o homem não poderá deixar assomar a essência espiritual que nele é latente. É muito mais “fácil” seguir pela trilha do mal saber, do mal pensar, do mal dizer, do mal querer, do mal conhecer nossas melhores possibilidades de crescer interiormente, já que o homem carnal é predominante. A centelha divina, que está em cada um de nós, precisa ser avivada e mantida através de nossas melhores ações, de nosso bem saber, do bem pensar, do bem fazer, do bem querer. E essa mudança, essa reforma íntima, terá de ser feita sem tréguas, sem retrocessos, sem remendos. Não é o caso de colocar remendo novo em roupa velha (Marcos II: 21); pouco ou nada adiantaria. É preciso retirar totalmente o velho traje, abandoná-lo e vestir aquela roupa que foi feita sob medida para nós, mas que teimamos em não usar, porque ou entendemos “que não ficaríamos bem”, ou porque “ela é muito boa para nós”. Com certeza, quando assim o fizermos, poderemos evoluir para um estágio em que poderemos ter a “pureza criança e a compreensão adulta – a sabedoria adulta e a inocência criança”.
Quando falamos em crianças, imediatamente nos lembramos de pureza, inocência, ingenuidade, enfim, tudo o que ainda não foi corrompido. Claro, porque nelas as imperfeições, maldades, vícios, não estão presentes. Não poucas vezes nos pegamos comentando: “é inocente como uma criança”, “parece criança, age sem maldade”, não é mesmo? E o pior, isso é dito com aquele ar crítico, em tom de superioridade, querendo mostrar uma pretensa sabedoria. É... mas os anos vão passando e o tempo, aos poucos, vai nos abrindo a consciência para melhor assimilar as verdades da vida ( não por acaso existe o ditado dizendo que o tempo é o melhor conselheiro). Os erros, os vícios, as imperfeições, dificultam a nossa melhor compreensão mas, ao mesmo tempo, eles devem impulsionar a nossa vontade, porque a necessidade de fazer despertar o homem espiritual passa pela obrigatoriedade de uma reforma, que só será conseguida quando essa vontade for maior que os apelos materiais.Vamos aprendendo e tentando, tentando e aprendendo a nos livrar dos vícios, das imperfeições para, assim, estarmos em condição de fazer brilhar a centelha divina do Criador presente em cada um de nós. Quão difícil é para o ser humano conseguir se libertar dos laços materiais que o impedem de uma entrega total à missão de praticar o bem, ou seja, amar o próximo. Sim, porque enquanto o apelo material for maior, o homem não poderá deixar assomar a essência espiritual que nele é latente. É muito mais “fácil” seguir pela trilha do mal saber, do mal pensar, do mal dizer, do mal querer, do mal conhecer nossas melhores possibilidades de crescer interiormente, já que o homem carnal é predominante. A centelha divina, que está em cada um de nós, precisa ser avivada e mantida através de nossas melhores ações, de nosso bem saber, do bem pensar, do bem fazer, do bem querer. E essa mudança, essa reforma íntima, terá de ser feita sem tréguas, sem retrocessos, sem remendos. Não é o caso de colocar remendo novo em roupa velha (Marcos II: 21); pouco ou nada adiantaria. É preciso retirar totalmente o velho traje, abandoná-lo e vestir aquela roupa que foi feita sob medida para nós, mas que teimamos em não usar, porque ou entendemos “que não ficaríamos bem”, ou porque “ela é muito boa para nós”. Com certeza, quando assim o fizermos, poderemos evoluir para um estágio em que poderemos ter a “pureza criança e a compreensão adulta – a sabedoria adulta e a inocência criança”.
Assinar:
Postagens (Atom)